O que esperar da política em 2022?

Palácio do PlanaltoAs eleições de outubro são o grande tema de mobilização para o ano de 2022, que vai intensificar todos os debates que já vêm ocorrendo desde o início do ano com o lançamento de pré-candidaturas. Neste ano, a população vai às urnas para eleger governadores, deputados federais e estaduais, um terço do senado, presidente e vice-presidente. A tendência ainda é de um debate altamente polarizado. Ao que tange as eleições presidenciais, poucas modificações ocorreram nos últimos meses e a corrida ao Palácio do Planalto ainda tem uma fotografia que privilegia as candidaturas de Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL). Juntos, ambos reúnem cerca de dois terços das intenções de votos para as eleições, dificultando a possibilidade de que algum nome da terceira via seja capaz de superar tal polarização.

Um dos principais desafios de Bolsonaro em sua campanha de reeleição será reverter sua trajetória de popularidade em declínio. As principais pesquisas de opinião apontam que o atual mandatário atingiu o pico de sua rejeição nos últimos meses. A busca por apoio político e popular pode forçar o governo a discursos e práticas mais populistas e uma agenda mais voltada para os interesses da classe política tradicional. Lula, por outro lado, ainda deve enfrentar o sentimento ativo do antipetismo em diversos segmentos da população brasileira.

Em 2021, o governo realizou duas reformas ministeriais, abrindo mais espaço para nomes da ala política e, consequentemente, provocando a perda de influência de outros dois núcleos de força do governo: a ala ideológica e econômica. Novas mudanças na Esplanada dos Ministérios já são esperadas para este ano, principalmente considerando que alguns ministros do governo devem abandonar seus postos para concorrer a algum cargo eletivo. Dos 23 atuais ministros, seis irão deixar seus cargos para concorrer à reeleição na Câmara dos Deputados, mas Bolsonaro ainda tenta negociar a candidatura de outros cinco ministros para uma vaga no Legislativo ou em governos estaduais. Os postulantes têm até 2 de abril para realizar a desincompatibilização de seus cargos.

Em paralelo, o centrão e seus aliados devem exercer pressão para continuar ocupando postos estratégicos no primeiro e segundo escalão do governo. A aliança do governo com o centrão deve garantir certa governabilidade e estabilidade para Bolsonaro no curto-médio prazo, mas a parceria ainda depende da capacidade do governo em garantir as demandas do grupo político, tanto na parte econômica como em questões políticas.

Em relação à pandemia, os altos índices de vacinação devem mitigar os impactos de novas ondas e variantes da doença. No entanto, o Ministério da Saúde continuará sobre pressão em relação ao esquema de reforço na vacinação. Estados e municípios podem recuar em algumas medidas de flexibilização a depender do avanço dos novos casos e as taxas de ocupação hospitalar, principalmente em relação a eventos públicos massivos.

Para 2022, o cenário econômico deve ser marcado por uma taxa de crescimento mais baixa e uma inflação alta, o que deve pressionar o governo a tomar medidas mais rígidas. Ainda considerando as eleições gerais, o país provavelmente terá maiores investimentos governamentais em infraestrutura, enquanto medidas controversas terão menos probabilidade de ocorrer, reduzindo a oscilação no mercado causada pela política. O mercado permanecerá mais atento a um eventual período de transição de governo, implicando certa cautela na hora de novos investimentos durante o ano eleitoral. Vale notar que os formuladores de políticas estão concentrando seus esforços no controle da inflação com taxas de juros mais altas e na redução da demanda, mas o principal motor da inflação está vindo do aumento dos preços dos insumos. O estímulo à atividade econômica e a tomada de medidas contra a crise da cadeia de abastecimento devem ser discutidos ao longo deste ano.

Ainda assim, pontos sensíveis como a Reforma Administrativa podem sofrer resistência no ano eleitoral, com baixas chances de aprovação. Uma Reforma Tributária ampla também deve encontrar resistência. Apesar de mudanças estruturais serem pouco prováveis para o ano de 2022, propostas que impactem o setor produtivo e a organização do Estado não são descartadas. Alguns temas que estão na lista de prioridades do governo e podem avançar são: Mercado de créditos de carbono, legalização dos jogos de azar, regulamentação do Lobby, além de mudanças nas regulações do setor elétrico e de mineração.

 

15 thoughts to “O que esperar da política em 2022?”

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