Volta ao Mundo em 80 cores

*Por Bernardo Nigri

Bolsonaro em Dubai

 

Deserto também pode ser verde!

A despeito da já amplamente noticiada ausência na COP 26 no início do mês, o presidente Jair Bolsonaro manteve sua agenda internacional movimentada em novembro. Na última semana, a comitiva presidencial seguiu para o Oriente Médio, onde visitou os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Qatar. A tentativa de fuga do espinhoso tema do meio ambiente com o não comparecimento em Glasgow não rendeu a paz de espírito esperada pelo presidente, que novamente encarou a pauta. A viagem promoveu novas oportunidade para “baixo carbono”, “economia verde” e outras expressões continuarem a assombrar os sonhos (pesadelos?) do governo sobre sustentabilidade fora do Brasil. A onipresença da temática é cada vez mais difícil de ignorar e tende a figurar no discurso de autoridades e empresários estrangeiros, aumentando a inegável necessidade de se tornar política de destaque do governo e do Estado brasileiro.

Tapete vermelho

Outro presidenciável que não ficou para trás na agenda internacional é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista fez périplo por terras pouco amigáveis para Bolsonaro, discursando no Parlamento Europeu e se reunindo com lideranças alemãs, francesas e espanholas em uma viagem tão noticiada quanto a do atual Presidente no Oriente Médio. No que pode ser visto como sinal ao atual governo brasileiro, o presidente francês Emmanuel Macron recebeu Lula no Palácio do Eliseu com protocolos dignos de um chefe de Estado, com plena consciência do significado do ato na esteira de ano eleitoral no Brasil. Bem-quisto por parcela razoável de lideranças de renome internacional, o ex-Presidente não dá sinais de diminuir o ritmo em sua agenda pré-eleitoral. Lula aproveitou os holofotes para fazer um afago público a um velho adversário, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin. De saída do PSDB, Alckmin está disputadíssimo pelo PSD e o PSB por conta de seu elevado recall no maior colégio eleitoral do país.

Palheta Sul-Americana

De volta à América do Sul, foram finalizadas no último fim de semana as eleições legislativas de meio de mandato na Argentina. Conforme esperado após o resultado ruim nas primárias (PASO), em setembro, o governo de Fernandez sofreu uma derrota significativa. Em meio a um desempenho econômico cambaleante e críticas da população pela gestão da pandemia, a coligação governista “Frente de Todos” perdeu a maioria em ambas as casas no Congresso. O governo mantém-se como o maior partido no parlamento, mas deve enfrentar ainda mais dificuldades para avançar pautas difíceis no Legislativo, contribuindo para o cenário de popularidade tímida de muitos governos latino-americanos. Outro país que vale se manter no radar para as próximas semanas é o Chile, que definirá o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no próximo fim de semana, em meio a uma crise política que se arrasta desde 2019.

Verde, amarelo e… azul?

Em terras tupiniquins, as eleições presidenciais mantêm-se como destaque no noticiário político. No domingo (21), o PSDB realiza suas prévias internas e decide quem representará a legenda na disputa nacional do ano que vem. Na reta final das eleições internas, o governador de São Paulo, João Doria, dá sinais de que acredita na vitória ainda em primeiro turno. A despeito do interesse da mídia e de setores da economia, nem Leite nem Dória dão sinais de fôlego dos tucanos em pesquisas e no interesse da população. Em um meio de campo já bastante tumultuado com outras candidaturas, nenhum deles se destaca como liderança capaz de tirar a terceira via da retaguarda da disputa presidencial. Nesse cenário, não falta quem sugira lançar apenas um candidato na vice-presidência de outra chapa já no primeiro turno, uma possibilidade inédita para a legenda. Independente da escolha tomada pelo partido em abril do ano que vem, o candidato que sair vitorioso dessas prévias já começa com a missão de unificar os integrantes de uma sigla rachada e em processo de desidratação.

Sinal amarelo no PL

Por fim, a interminável saga da filiação partidária de Bolsonaro continua a ser renovada por mais episódios. Após sinalizar que o fim do imbróglio estava próximo, novos conflitos sobre diretórios estaduais jogaram o enésimo balde de água fria na relação de Bolsonaro com o seu possível partido futuro e acenderam um novo sinal amarelo. O PL já se movimentou para garantir a entrada do presidente, apaziguando divergências em São Paulo e no Nordeste – onde alianças regionais tornaram-se entraves para negociações -, mas os próximos passos ainda não estão claros. Bolsonaro já declarou que outras legendas não foram descartadas, e a pressão para a definição de seu destino só tende a crescer conforme outras candidaturas se oficializam para 2022. O Presidente tem como trunfos o comando da máquina pública e cerca de 25 parlamentares que devem segui-lo na legenda escolhida. Contudo, traz como ônus uma rejeição significativa e a demanda pela adoção de uma postura unificada do ponto de vista ideológico – algo muito distante da realidade da maioria dos partidos do centrão.

 

*Às sextas-feiras, o Núcleo de Inteligência e Análise Política (NIAP) da BMJ Consultores Associados publica no blog um panorama com os principais fatos políticos da semana. Nesta semana, a autoria é do consultor Bernardo Nigri.

8 thoughts to “Volta ao Mundo em 80 cores”

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