1000 dias de Governo Bolsonaro

Jair Bolsonaro participa de evento no PlanaltoJair Bolsonaro completou no último domingo (26), mil dias desde que tomou posse como Presidente da República. Cercado por altos níveis de rejeição, um crescimento econômico lento após a queda provocada pela pandemia e sob a ameaça da crise hídrica, Bolsonaro irá reforçar sua agenda de compromissos ao longo desta semana com ministros chaves do governo. A ideia é similar à adotada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) às previas de sua reeleição em 2014. Mesmo que não compareça presencialmente a eventos de inaugurações e outras medidas, ministros importantes do governo estarão empenhados na agenda, que se divide em entregas de obras de infraestruturas, medidas econômicas e energéticas.

Em Roraima, por exemplo, Bolsonaro irá anunciar nesta quarta-feira (28), ao lado de seu aliado, governador Antonio Denarium (PP), a redução do ICMS sobre o gás de cozinha no estado de 17% para 12%. A população tem assimilado diretamente a alta dos preços de gás e da inflação ao governo, o que tem influenciado o aumento dos índices de rejeição ao presidente Bolsonaro entre a população mais vulnerável. A ideia é pressionar aos demais governadores a realizarem medida similar. Bolsonaro também inaugurará a Usina Termelétrica Jaguatirica II, que irá responder a boa parte do armazenamento energético do estado em meio à crise hídrica.

Figuras da ala política, como Ciro Nogueira (Casa Civil), Ricardo Barros (Líder do Governo na Câmara), João Roma (Cidadania) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), estarão presentes em seus redutos eleitorais. Na terça-feira (28), Bolsonaro viaja à Bahia junto aos ministros Roma e Tarcísio Freitas (Infraestrutura) para anunciar a duplicação de rodovias federais no estado. No mesmo dia, ao lado de Marinho, o presidente Bolsonaro irá entregar unidades do programa Casa Verde e Amarelo em Alagoas.

Barros, Bolsonaro e Freitas inauguram no Paraná uma reforma do aeroporto de Maringá. Em Piripiri, Piauí, Nogueira entregará em seu reduto eleitoral a nova unidade da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em Minas Gerais, ao lado seu aliado, governador Romeu Zema (Novo), Bolsonaro anunciará a aplicação de recursos federais para a ampliação e reformas do metrô de Belo Horizonte. A proposta já havia sido anunciada, mas a ideia é capitalizar politicamente o Presidente. Zema lidera com folga as intenções de votos para o próximo ano.

Agenda Econômica

Ao longo dos 1000 dias de governo, diversas propostas da campanha de Jair Bolsonaro foram ficando pelo caminho. A agenda liberal do ministro Paulo Guedes é uma das principais afetadas. A crise sanitária do coronavírus foi um dos principais fatores que forçou o governo a reestruturar sua agenda econômica. Dos 14 projetos prioritários de Guedes em 2018, apenas a autonomia do Banco Central cumpre com os interesses originais da equipe econômica.

A Reforma da Previdência, única ampla reforma aprovada ao longo desse período, sofreu uma forte desidratação no Congresso e deixou de lado um dos principais pilares de Guedes, a capitalização. O aumento do IOF para financiar o Auxílio Brasil e os textos debatidos no âmbito da Reforma Tributária são um sinal de alerta para agentes econômicos, que temem que a agenda econômica se afaste dos preceitos liberais e acumule um viés mais eleitoreiro com a queda de popularidade de Bolsonaro.

Além da crise sanitária, a frágil articulação com o Congresso Nacional também prejudicou a entrega da agenda de reformas e outras medidas prioritárias. Para mitigar especulações, Guedes ainda tenta sinalizar ao mercado que o componente liberal compõe, ao menos, “60% da agenda econômica do governo”. O cenário político, contudo, reforça que o componente político tem ofuscado a autonomia de Guedes sobre a condução econômica para responder as dificuldades de popularidade do governo.

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