Atos da terceira via contra Bolsonaro têm baixa adesão

O Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua, vinculados à centro-direita, convocaram mobilizações pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no último domingo (12). As manifestações ocorreram em, ao menos, 15 cidades brasileiras e tiveram adesão inferior aos atos pró-Bolsonaro do último feriado de 7 de setembro. O movimento reuniu nomes da terceira via e possíveis presidenciáveis, como Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Simone Tebet (MDB/MS), Alessandro Vieira (Cidadania/SE), Luiz Mandetta (DEM) e João Amoêdo (Novo). A Secretaria de Segurança Pública registrou a presença de 6 mil pessoas na Avenida Paulista. Em Brasília, foram menos de 500 manifestantes. Nas manifestações pró-governo, os dados oficiais estimaram 125 mil manifestantes em São Paulo e mais de 100 mil em Brasília.

Alguns elementos podem explicar a baixa adesão aos protestos. O MBL e o Vem Pra Rua perderam boa parte da influência que chegaram a possuir durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016. A pulverização de seus principais quadros em diversos partidos do centrão e a diminuição do sentimento anti-establishment observados nas eleições municipais de 2020 ajudam a explicar esse cenário.

Além disso, a recusa do PT e movimentos alinhados ao partido em convocar seus apoiadores para os atos deste fim de semana contribuíram para o esvaziamento. Os organizadores tentaram desvincular a agenda “Nem Lula, nem Bolsonaro” para atrair a militância petista, mas o gesto não foi suficiente para convencer o partido. Também cabe ressaltar que as manifestações foram convocadas com menos antecedência do que os atos pró-governo e não houve o financiamento de caravanas para ajudar a fortalecer os atos nas principais capitais do país.

A baixa adesão deve ser muito explorada por dois nichos diferentes. Por um lado, o presidente Bolsonaro e sua base aliada devem utilizar as manifestações do domingo como um exemplo de força do governo e minimizar figuras como Doria e Mandetta que tentam se capitalizar para disputar a Presidência da República. Ainda, a baixa adesão contribui para o arrefecimento o debate sobre o impeachment de Bolsonaro e posterga a decisão de partidos do centrão que estavam ensaiando um desembarque da base governista.

Por outro lado, as manifestações já realizadas pelo PT foram mais robustas e são utilizadas para reforçar o poder de barganha do partido, que tem demonstrado alta mobilização entre o eleitorado da esquerda. Esse contexto tende a enfatizar o protagonismo da candidatura do ex-presidente Lula (PT), mas é importante considerar que a presença de partidos como o PCdoB e PDT nos atos do MBL demonstram que também há rachas no campo da esquerda.

O novo teste de força deve acontecer em 2 de outubro, data estimada pelas lideranças petistas para suas mobilizações contra Bolsonaro. Mesmo com a possibilidade dos atos serem maiores, permanece o cenário de pulverização de lideranças da terceira via e da falta de um denominador comum que consiga unificar diferentes segmentos da sociedade. A tendência é de que a terceira continue a encontrar dificuldades de apresentar um nome competitivo para a polarização Lula-Bolsonaro, cenário que tende a persistir pelo menos até o fim do ano e definir os rumos das próximas estratégias eleitorais e de mobilização.

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