Largada para as Eleições

 

Foco em 2022

Como ocorre em qualquer corrida, a definição do grid de largada para as Eleições de 2022 são prioridade máxima dos partidos. Conforme o ano se aproxima do fim, as movimentações dos partidos para se posicionar da melhor maneira possível antes do início da campanha eleitoral estão a todo vapor. No plano de fundo da reforma ministerial e da polarização entre Lula e Bolsonaro na opinião pública, os partidos ponderam como podem sair na frente no pleito do ano que vem.

Superpartido do Centrão?

O principal destaque é a possível fusão do PP, DEM e o PSL. O superpartido hipotético do centrão agregaria 15 senadores – quase um quinto do Senado – e 121 deputados – um quarto da Câmara – superando em números absolutos qualquer bancada partidária da casa nas últimas décadas. Nas unidades da federação, a legenda congregaria cinco governadores e quatro prefeitos de capital, sendo a maior nos comandos dos estados e a segunda maior nas prefeituras, atrás apenas do MDB.

Talvez não

Apesar dos rumores, a formalização do centrão em uma única legenda não encontra consenso entre as lideranças. As negociações são apontadas pelos partidos como rumores e preliminares, e são feitas em paralelo ao flerte de Bolsonaro com uma filiação ao PP de Ciro Nogueira. O romance é o último capítulo da novela sobre a filiação do presidente para concorrer à reeleição em 2022. A entrada de Ciro no governo pode ser um balde de água fria para a articulação dos partidos do centrão, que deve sofrer maior resistência de alas mais distantes do bolsonarismo nas legendas, especialmente nas regiões norte e nordeste. Além disso, muitos políticos estudam mudar para outras siglas se a fusão dos três partidos for confirmada.

Lua de mel

Ainda na lua de mel do casório com o governo, o PP busca faturar ainda mais com o novo espaço obtido dentro do governo. Além de Bolsonaro, o partido quer também um contato maior com outros figurões da Esplanada, e tenta filiar os ministros Fábio Faria (PSD), Tereza Cristina (DEM), Rogério Marinho (PSDB) e Tarcísio Freitas (sem partido). Ainda reticente com as intenções de filiação do presidente, por hora o partido segue firme na base do governo e devolveu parte do favor com a indicação de Flávio Bolsonaro para a suplência da CPI da Pandemia. O problema das luas de mel é que elas acabam rápido. Já tem partido defendendo a criação de mais ministérios e o controle de uma fatia maior do orçamento.

MDB fora do barco

Outro partido de olho nas movimentações é o MDB. O partido ainda é o que possui mais prefeituras, apesar da queda em 2020, e tem expressiva capilaridade no interior do país. Ainda assim, segue indeciso sobre os rumos no pleito de 2022. Rumores sobre articulações para integrar o governo foram desmentidos rapidamente com veemência nas redes do partido, mas a proposta pode ser atrativa. Ainda que não componha a base governista, a legenda já controlou ministérios no governo e possui alas mais próximas ao bolsonarismo. Enquanto isso, Lula continua de papo com caciques do partido que, por enquanto, se declara como parte da “terceira via”.

PSD mira alto

Enquanto isso, o PSD de Kassab segue fortalecendo os seus quadros estaduais e municipais. A legenda foi uma das que mais cresceu nas eleições municipais de 2020 e já filiou nomes de peso, como o prefeito do Rio Eduardo Paes. Uma possível vinda de Alckimin em São Paulo, Wellington Dias (PT) no Piauí e até o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), crescem o bolo do partido para 2022. A sigla deve chegar competitiva nos três maiores estados (SP, MG e RJ) e o lançamento de uma candidatura independente ao Planalto é tido como forte possibilidade.

*Às sextas-feiras, o Núcleo de Inteligência e Análise Política (NIAP) da BMJ Consultores Associados publica no blog um panorama com os principais fatos políticos da semana. Nesta semana, a autoria é do consultor Bernardo Nigri

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