Bolsonaro critica aumento do Fundo Eleitoral na LDO

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou, no domingo (18), o aumento no fundo eleitoral aprovado pelo Congresso na última semana. A mudança ocorreu devido à aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que reformula o valor do fundo de R$1,7 bi em 2018 para R$5,7 bi em 2022. O mandatário não explicitou que vetaria o texto, mas demonstrou insatisfação com a proposta.

A sinalização também veio acompanhada de críticas ao vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL/AL), que presidiu a sessão que aprovou a LDO e que, segundo o presidente Bolsonaro, teria atropelado a votação da lei. O deputado respondeu criticando o Presidente e ressaltando que aliados do governo também votaram a favor da LDO. Ramos também afirmou que Bolsonaro estaria buscando transferir a responsabilidade pela aprovação da LDO e destacou que o presidente possui a competência de vetar a medida, caso deseje.

As críticas ao aumento do fundo eleitoral tendem a aumentar as tensões entre o Palácio do Planalto e o Congresso em um momento de fragilidade do presidente Jair Bolsonaro, devido aos baixos índices de popularidade. As declarações são um aceno ao eleitorado mais ideológico de Bolsonaro, que critica aspectos da política tradicional e aumento nos gastos eleitorais de congressistas. O Presidente deve seguir sinalizando a essa base mais fiel para evitar uma queda ainda mais acentuada na sua popularidade e para manter o piso na sua taxa de aprovação.

A ideia da estratégia de Bolsonaro também seria passar o ônus político da medida para o Congresso Nacional. Nesse cenário, a resposta de Marcelo Ramos demonstra que as críticas não devem ser bem recebidas por segmentos do centrão, que atualmente constitui parte significativa da base do governo no Congresso.

O orçamento também poderia ocasionar uma nova disputa de protagonismo entre a equipe econômica e a base política do governo. O veto ao Fundo Eleitoral precisaria de uma grande articulação do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional e o apoio do centrão seria primordial para a manutenção dos vetos.

Desse modo, o presidente Bolsonaro deve continuar realizando críticas similares, mas a tendência é de que os parlamentares derrubem os possíveis vetos. O alto custo de capital político e o risco de perder parte significativa de sua base parlamentar devem impedir movimentações concretas nesse sentido.

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