CPI da COVID irá ouvir ex-ministros

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19, que investiga as ações e omissões do governo ao longo da pandemia, inicia definitivamente seus trabalhos a partir desta segunda-feira (3). O ex-secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues, é a primeira autoridade a participar hoje para debater a execução orçamentária ao longo da pandemia. Os senadores também aprovaram a convocação dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich para terça-feira (4) e do o ex-ministro Eduardo Pazuello para quarta-feira (5). O atual comandante do Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga, e o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, participam na quinta-feira (6).

As primeiras oitivas estão divididas entre ex-ministros que colecionaram desgastes políticos com o presidente Jair Bolsonaro e aliados do Palácio do Planalto. No caráter de testemunhas, os participantes se comprometem a dizer a verdade em seus depoimentos. Nesse sentido, a tendência é de que, o primeiro grupo, tente se esquivar das acusações, mas a tarefa maior será para os aliados do presidente Jair Bolsonaro que, além de buscarem reduzir o ônus político das possíveis controvérsias, tentarão mitigar, ao máximo, os principais riscos para o presidente Jair Bolsonaro.

Os desdobramentos futuros da CPI podem ser imprevisíveis, mas a participação dos ex-ministros pode dar o tom de como os senadores irão se comportar ao longo da comissão. Dentre os primeiros participantes, a tendência é de que o ex-ministro Mandetta tenha um discurso um pouco mais incisivo contra o presidente Bolsonaro. Publicamente, Mandetta vem criticando o governo federal por sua posição negacionista e sua participação não deve trazer novidades em seu posicionamento tradicional. Mandetta também poderá tentar capitalizar sua participação, já que o ex-ministro é um pré-candidato à presidência para 2022.

A participação de Pazuello tende a ser mais sensível quando se considera as dificuldades que sua gestão enfrentou com o Congresso Nacional. Eduardo Pazuello também foi o ministro que ficou mais tempo no Ministério da Saúde e sua gestão coincidiu com o período mais crítico da pandemia. Para muitos senadores independentes e de oposição, a gestão de Pazuello foi a mais problemática e responsável até mesmo por crises atuais da pandemia, como uma fraca logística envolvendo as vacinas contra a COVID-19. Por ser considerada uma oitiva crucial, existe a tendência de que o ex-ministro Eduardo Pazuello seja convocado mais uma vez para a CPI.

Os senadores devem se concentrar em pautas como o atraso na aquisição e logística de vacinas, as crises de oxigênio no Amazonas, de abastecimento de insumos hospitalares e os conflitos do governo federal com governadores e prefeitos. Os parlamentares também podem questionar a Anvisa sobre a deliberação da vacina Sputnik V. Diversos governadores pretendiam importar doses do imunizante russo, mas a Anvisa tem negado a liberação da vacina sob a justificativa de falta de documentação.

O cenário também tende a ser sensível para o atual ministro, Marcelo Queiroga, que deve ser questionado pelos atuais atrasos envolvendo a campanha nacional de imunização. Até o momento, nove capitais brasileiras anunciaram que estão com o cronograma atrasado devido ao desabastecimento dos imunizantes.

A CPI da COVID deve aprovar novas convocações e requerimentos de novas informações ao longo da semana. Existe um esforço político para que o ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, também seja convocado após suas críticas públicas ao presidente Jair Bolsonaro sobre a gestão da pandemia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *