A saída de Ernesto Araújo

A semana se inicia com a escalada da pressão da classe política pela demissão do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. A sua saída já era discutida nos bastidores desde o segundo semestre do ano passado, mas as críticas públicas se tornaram mais contundentes nas últimas semanas, principalmente após uma audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

No Congresso, é quase unânime o entendimento de que o chanceler é o principal responsável pelo fracasso nas negociações internacionais para aquisição de vacinas e insumos, e pelo desgaste no relacionamento com a China, maior parceiro comercial do Brasil. A atuação do ministro é apoiada pela ala ideológica, mas é reprovada por diversos outros setores, como os militares, governadores, prefeitos e empresários.

A permanência de Ernesto Araújo no cargo já era descartada até mesmo pelos assessores mais próximos do presidente Bolsonaro, sobretudo com a expectativa de que um grupo considerável de senadores apresentassem um pedido de impeachment do chanceler no Supremo Tribunal Federal (STF). Vale ressaltar que a ala ideológica deve ter outra baixa nos próximos dias com o possível afastamento do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins, que foi flagrado fazendo um gesto interpretado como sendo de supremacistas brancos, durante a audiência de Ernesto Araújo no Senado.

Bolsonaro busca encontrar uma “saída honrosa” para estes dois atores, mas a insatisfação da classe política deve dificultar que eles sejam indicados para chefiar alguma embaixada ou delegação diplomática. Uma situação semelhante ocorreu com Abraham Weintraub, que deixou o Ministério da Educação por pressão política e assumiu um cargo no Banco Mundial.

A ala ideológica defende a indicação do embaixador do Brasil na França, Luiz Fernando Serra, que chegou a ser cotado para o cargo no governo de transição. Essa escolha coloca Bolsonaro em uma situação delicada. Por um lado, é fundamental fidelizar seu nicho de eleitorado ideológico neste momento de queda nos índices de popularidade. Por outro lado, Bolsonaro já desagradou a classe política ao não nomear um indicado do centrão para o cargo de ministro da Saúde e um episódio semelhante poderia dificultar ainda mais a relação do Palácio do Planalto com o Congresso.

A saída de Ernesto Araújo também intensifica os pleitos para a realização de uma reforma ministerial robusta, que envolva outros cargos de interesse da classe política. Uma movimentação neste sentido já é esperada desde as eleições dos presidentes da Câmara e do Senado no início de fevereiro, já que o governo federal usou esse trunfo para fortalecer as candidaturas de aliados do Palácio do Planalto.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é um dos alvos prioritários, mas há também insatisfação com nomes como Milton Ribeiro (Educação), Bento Albuquerque (Minas e Energia), e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura). A tendência é que estes nomes sejam monitorados de perto pelo Congresso e recebam uma reação dura dos parlamentares em caso de eventuais deslizes.

2 thoughts to “A saída de Ernesto Araújo”

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