O primeiro ano de COVID-19

Na última quinta-feira (25) o Brasil completou um ano desde o primeiro caso confirmado de COVID-19 no país. Ao longo de todo esse período, o país acumulou mais de 250 mil mortes, mais de 10 milhões de casos confirmados e, com o recente início das campanhas de imunização, mais de 6 milhões de pessoas vacinadas.

Contrariando da maioria dos países que já vacinam sua população, o Brasil apresenta uma forte tendência de alta nos índices de óbito e contaminação, além de registrar três variantes do vírus.

Com este cenário, retrocedemos a um movimento similar do início da pandemia em 2020: hospitais em níveis de saturação e governadores e prefeitos recorrendo a medidas de restrições nas atividades econômicas para evitar o colapso no sistema de saúde. Com isso, houve uma escalada nos atritos entre o Palácio do Planalto e os gestores locais. Após confirmar uma nova rodada de pagamentos do novo Auxílio Emergencial, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar governadores que têm recorrido às medidas restritivas para conter o avanço dos casos.

Bolsonaro chegou a afirmar que os governadores que optarem pelo lockdown, deverão desembolsar recursos próprios para bancar o Auxílio Emergencial. Até o momento, nove estados já adotam toque de recolher: PR, MS, BA, CE, PB, PI, AM, SP e RN. O Distrito Federal foi mais radical e adotou o lockdown. Ao longo da primeira onda, essa estratégia do presidente se provou eficiente, especialmente quando diminuiu a adesão popular às medidas de distanciamento, aumentando os índices de rejeição aos governadores.

A retomada das restrições em nível local também fez crescer as pressões sobre o Governo Federal para aumentar a velocidade da campanha de vacinação que, além da falta de novas doses, também sofre com gargalos na logística. Neste sentido, espera-se que os parlamentares intensifiquem a cobrança  pela criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações do governo federal na pandemia nesta semana.

Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG) e Arthur Lira (PP/AL), tentam evitar esse movimento, visto como uma medida extrema e que traria graves prejuízos para aproximação do Congresso com o Palácio do Planalto. Esse cenário é outro elemento que contribui para desviar a atenção do parlamento sobre os itens da agenda econômica.

Vale destacar, ainda, a pressão pela demissão do general Eduardo Pazuello do Ministério da Saúde, que vem ganhando mais força em Brasília. Por um lado, a presença de Pazuello é estratégica para blindar o Presidente da República, mas há um interesse grande do PP em assumir o Ministério. Além disso, o processo de fritura pelo qual vem passando Pazuello é visto como prejudicial para o núcleo militar. Nos bastidores, Bolsonaro tem estudado uma “saída honrosa” para Pazuello, mais ainda não há uma definição interna sobre o melhor momento para fazer isso.

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