A troca de peças da Petrobras

O presidente Jair Bolsonaro anunciou na última sexta-feira (19) a demissão do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e a sua substituição pelo general Joaquim Luna e Silva, ex-ministro da Defesa e atual diretor-geral da usina hidrelétrica Itaipu Binacional. Para que a substituição seja concretizada, a indicação ainda precisa do aval do Conselho de Administração da Petrobras.

O anúncio aconteceu um dia depois de Bolsonaro fazer críticas à gestão da Petrobras e às sucessivas altas no preço dos combustíveis. Até a última quinta-feira (18), o litro da gasolina nas refinarias acumulou alta de 34,78% desde o início do ano. Já o diesel subiu 27,72% no mesmo período.

Durante o fim de semana, o cenário negativo foi acentuado com as falas do Presidente, que afirmou que é necessário “trocar as peças que porventura não estejam funcionando” e que novas mudanças serão feitas nessa semana. Bolsonaro ainda disse que pretende “meter o dedo na energia elétrica”. Com os últimos desdobramentos, crescem as preocupações com a interferência política na Petrobras e a gestão de estatais, o que fez com que a bolsa de valores brasileira abrisse em forte queda nesta segunda-feira (22).

As ações de Bolsonaro ocorrem em um momento em que o governo enfrenta uma queda consistente nos índices de popularidade e acaba de evitar uma paralisação dos caminhoneiros. Os dois setores mencionados pelo Presidente, combustíveis e energia elétrica, são elementos-chave para a desidratação no apoio do governo, já que exercem um papel preponderante na diminuição do poder aquisitivo das famílias.

As declarações também são um importante sinal da perda de influência da equipe econômica sobre Bolsonaro, colocando em xeque a fidelidade do Palácio do Planalto à agenda liberal encabeçada pelo ministro Paulo Guedes.

Para mitigar a repercussão negativa, a tendência é que esta semana seja usada para apresentar ações que sejam mais bem-vistas pelo mercado e que ao mesmo tempo não sejam consideradas impopulares. Um exemplo disso é a informação ventilada por assessores do Planalto sobre a destinação de R$ 20 bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) de forma a reduzir a conta de luz. A medida teria como objetivo minimizar o reajuste de 13% na tarifa previsto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para esse ano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *