A corrida por um lugar na Mesa Diretora

Os parlamentares decidem hoje, 1º de fevereiro, os novos integrantes para comporem os cargos da Mesa Diretora durante o biênio 2021-2022. Além da presidência, outros dez cargos estão em disputa em cada uma das casas: dois cargos de vice-presidentes, quatro de secretários titulares e quatro de secretários suplentes.

Pelos menos oito deputados e cinco senadores manifestaram o interesse de lançar candidatura para a Presidência, mas tanto na Câmara quanto no Senado, a disputa se concentra em duas candidaturas competitivas: uma mais governista e outra mais independente.

No Senado, o favoritismo é de Rodrigo Pacheco (DEM/MG), que teve a candidatura costurada pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM/AP) e conta com a simpatia do Palácio do Planalto. Sua principal oponente é a senadora Simone Tebet (MDB/MS), que apesar de ser integrante da maior legenda do Senado, não conta com o apoio do próprio partido e não deve ter força para levar a disputa ao segundo turno.

A eleição no Senado marca uma grande vitória política para Davi Alcolumbre, que se mostrou um articulador habilidoso durante seus dois anos de gestão e conseguiu diminuir o mal-estar que a sua eleição em 2019 havia gerado nos senadores da velha política. O futuro de Alcolumbre segue em aberto, mas os dois caminhos mais prováveis são a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (a mais importante do Senado) ou o comando de um Ministério.

Na Câmara, a disputa se mostrou mais apertada à primeira vista, mas o candidato governista Arthur Lira (PP/AL) conseguiu uma ampla vantagem nas últimas semanas. O atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ) intensificou seu antagonismo ao governo Bolsonaro e optou pelo lançamento de Baleia Rossi (MDB/SP), um candidato que possui uma visão mais independente do governo.

Em um primeiro momento, Maia conseguiu formar um bloco robusto com a presença de partidos do centrão e da esquerda, mas Lira contou com o apoio da máquina pública e conseguiu formar uma aliança mais numerosa a partir da distribuição indicações para cargos públicos e liberação de emendas orçamentárias.

A expectativa é que a derrota tenha um forte impacto para Rodrigo Maia, que terá seu poder de influência esvaziado dentro do DEM e deve se filiar a outro partido. Uma das principais hipóteses é que Maia vá para o PSDB e assuma uma secretaria no governo estadual de São Paulo. Alguns rumores apontam que o último gesto de Maia seria a abertura do processo de impeachment de Bolsonaro.

Contudo é importante ressaltar que neste momento há uma maioria consolidada pró-impeachment e há margem regimental para que o novo presidente da Câmara arquive o processo aberto por Maia. Nas próximas semanas, o foco na política fica para a reforma ministerial, que deve premiar os partidos mais próximos a Lira.

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