Um fim de semana de buzinaços

Movimentos e partidos de direita e esquerda organizaram atos a favor do impeachment do presidente Jair Bolsonaro durante o fim de semana. No sábado (23), pelo menos 18 capitais realizaram carreatas convocadas majoritariamente por segmentos da esquerda. Já no domingo (24), movimentos de direita como o Vem Pra Rua e o MBL, que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff (PT), realizaram atos em pelo menos cinco capitais. Os manifestantes protestaram principalmente contra o agravamento da crise do coronavírus e a dificuldade do governo federal de agilizar uma ampla campanha de vacinação no País.

As manifestações ocorrem em um momento delicado para o governo federal, que tem sofrido duras críticas pela demora em apresentar ações emergenciais para evitar o colapso do sistema de saúde em Manaus, pelos entraves na execução do plano nacional de imunização contra a Covid-19 e também pelo fim do auxílio emergencial. Ciente da gravidade deste cenário, o Palácio do Planalto já atua em algumas frentes para mitigar elementos que poderiam justificar a abertura de um processo de impeachment. Entre as medidas tomadas estão um discurso público mais favorável à vacinação, a responsabilização de governadores e prefeitos pelo recrudescimento da pandemia, e a exclusão de textos e vídeos que incentivavam o uso de medicação sem eficácia comprovada cientificamente.

As mobilizações contra o Presidente ocorrem logo após a divulgação de resultados negativos nas primeiras pesquisas de opinião em 2021. A mais recente delas é do Datafolha, que apontou no domingo (24) um índice de rejeição ao Presidente de 48%, enquanto sua popularidade atingiu 26%. Esse é o pior resultado desde junho, no ápice da primeira onda, quando 49% rejeitavam o governo e 27% apoiavam. A mesma pesquisa registrou um cenário bem mais favorável aos governadores, que obtiveram 42% de aprovação e apenas 26% de rejeição.

As mobilizações recentes são importantes para ilustrar a desidratação da base de apoio do Presidente, mas ainda não são expressivas o suficiente para a formação de uma maioria pró-impeachment no Congresso. Neste sentido, Bolsonaro deve intensificar a aproximação com a classe política e apostar mais alto na eleição de Arthur Lira (PP/AL) e Rodrigo Pacheco (DEM/MG) para o comando da Câmara e do Senado, respectivamente.

Este movimento deve afastar os partidos de esquerda e de alguns parlamentares do centrão do apoio a Artur Lira, mas ainda assim o candidato governista leva vantagem sobre o candidato independente Baleia Rossi (MDB/SP). Também vale destacar que a necessidade de aumentar a popularidade faz crescer o risco fiscal, tornando mais provável a flexibilização do teto de gastos e a retomada do auxílio emergencial.

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