Uma esquerda dividida para indicação da presidência da Câmara

Logo após o início do recesso legislativo, o deputado Baleia Rossi (MDB/SP) foi definido como o candidato do bloco independente à presidência da Câmara dos Deputados. A decisão foi costurada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), mas desagradou alguns partidos de esquerda que compõem o bloco, especialmente o PT. Após a escolha de Rossi, o partido Solidariedade anunciou o ingresso ao bloco, totalizando uma bancada de 294 deputados.

A cisão interna no bloco de Maia reforça o protagonismo que os partidos de esquerda exercerão nas eleições parlamentares. Os deputados identificados neste espectro ideológico não chegam a marca de 150 assentos na Câmara, mas terão peso determinante devido ao racha entre os partidos do centrão.

O PT possui um grande poder de barganha, já que conta com a maior bancada da Câmara e deve definir seu posicionamento hoje. A tendência é que o partido apoie Baleia Rossi, usando a retórica de que isso enfraqueceria o governo Bolsonaro, e negocie o comando de alguma comissão relevante. O risco para o partido é que esse movimento seja mal recebido pelo seu eleitorado e aumente o processo de desidratação que foi visto nas eleições municipais.

O PSOL possui uma bancada menos significativa, com apenas dez deputados, mas também pode definir seu posicionamento nos próximos dias. A líder do partido, deputada Sâmia Bonfim (PSOL/SP), defende uma aliança com Rossi, mas reconhece que a sigla está dividida.

Enquanto isso, o candidato apoiado pelo governo, Arthur Lira (PP/AL), começará a viajar pelo país para fortalecer sua campanha. Nos últimos dias o bloco de Lira sofreu com a saída do Solidariedade e está numericamente bem abaixo do bloco de Maia (157 vs 294 deputados). Mesmo neste cenário adverso, o candidato governista trabalha para aumentar as dissidências que já são esperadas no bloco independente e conta com o suporte da máquina pública e de uma possível reforma ministerial que pode ser executada pelo Presidente para aumentar o protagonismo dos partidos do centrão no Governo Federal.

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