São Paulo, a vacina e os embates com o Ministério da Saúde

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi pressionado em reunião virtual com governadores a apresentar um planejamento nacional para a imunização contra a COVID-19, visto que as vacinas se encontram nas fases finais de liberação sanitária.

Questionado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), se o Governo Federal iria comprar a vacina CoronaVac, Pazuello afirmou que a compra irá depender da demanda, prazo de entrega e preço de aquisição da vacina. O Ministro previa que o início das vacinações seria em março, mas mudou de discurso e agora defende que um plano emergencial possa ser iniciado já no fim de dezembro, mediante compra da vacina produzida pela Pfizer e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em coletiva de imprensa, na segunda-feira (7), Doria anunciou a campanha de vacinação estadual contra o coronavírus a partir do dia 25 de janeiro, mesmo sem a vacina em estudo pelo Instituto Butantan ter sido aprovada pela Anvisa. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acusa João Doria de tornar a vacinação um projeto pessoal de poder, dando a entender que as medidas adotadas pelo governador são estratégias que visam às eleições de 2022.

Com o início da vacinação esta semana no Reino Unido, a pressão aumenta no Brasil. É notória a politização que se deu em torno da vacina CoronaVac, na qual Doria apostou no início da pandemia e agora se encontra pronta para ser distribuída em São Paulo à espera das autorizações da Anvisa.

O Governo Federal, por sua vez, não abriu o leque de opções apostando principalmente na vacina produzida em parceria da Fiocruz com a Universidade de Oxford, que teve um imprevisto durante os testes e pode atrasar para ser aprovada. O governo já dá sinais de busca pela compra de outras fabricantes, considerando os efeitos negativos que poderiam ocorrer na popularidade do Presidente com a demora da campanha de imunização.

A escolha de Doria pelo início da vacinação estadual em 25 de janeiro foi encarada pela classe política como uma estratégia de marketing, já que também é comemorado neste dia o aniversário da cidade de São Paulo. Vale destacar que esse comportamento tem gerado uma repercussão negativa com outros governadores, que avaliam que a postura de Doria pode enfraquecê-los em seus estados, já que não teriam as mesmas condições materiais e logísticas de conduzir uma campanha estadual de vacinação.

Neste sentido, a tendência é que haja judicialização para que haja uma campanha nacional que não privilegie apenas a população de São Paulo. Esse imbróglio acaba por enfraquecer ainda mais Pazuello e a ala militar do governo, que passam a imagem de perda de autonomia e de uma condição ineficiente da logística para o enfrentamento da pandemia.

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