O futuro das presidências da Câmara e do Senado

A semana começa com a repercussão da maioria formada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM/RJ) e Davi Alcolumbre (DEM/AP) às presidências da Câmara e do Senado, respectivamente. Por se tratar de um julgamento virtual, os ministros podem mudar de voto até a próxima segunda-feira (14). Apesar disso, é pouco provável que haja uma mudança, levando em conta a repercussão negativa do tema na mídia e nas redes sociais.

A decisão do Supremo embaralha a corrida pela sucessão do comando do Congresso, já que muitos parlamentares trabalhavam com o cenário de que a reeleição seria autorizada. No Senado, a disputa deve seguir uma tônica semelhante à das eleições passadas, quando se viu um embate entre os expoentes da política tradicional e os senadores que defendiam a renovação. Neste sentido, é importante considerar que o Presidente corre um grande risco de não conseguir eleger um nome tão alinhado ao Palácio do Planalto quanto Davi Alcolumbre.

O MDB, que possui a maior bancada do Senado, deve decidir apoiar um nome mais tradicional e independente. O mesmo vale para os integrantes do Muda Senado, que devem apoiar um candidato independente. A partir deste cenário, Bolsonaro aposta em levar a disputa ao segundo turno entre um candidato governista e um político tradicional, que tenderia a sofrer maior rejeição.

Na Câmara a disputa também segue fragmentada até o momento. O líder do Centrão, Arthur Lira (PP/AL), desponta como o candidato favorito de Bolsonaro e já sofre com uma campanha da mídia que visa reforçar sua ligação com casos de corrupção. Apesar disso, é importante considerar que o Palácio do Planalto possui à disposição recursos importantes para conseguir beneficiar os parlamentares que apoiarem Lira. Além de Lira, há pelo menos outros cinco deputados de partidos do centrão que pretendem lançar candidatura, a maioria deles buscando uma posição mais independente em relação ao governo. São eles: Baleia Rossi (MDB/SP), Marcos Pereira (Republicanos/SP), Luciano Bivar (PSL/PE), Elmar Nascimento (DEM/BA) e Aguinaldo Ribeiro (PP/PB).

Os próximos dias devem ser usados por Maia para costurar a convergência de um nome que faça frente ao candidato governista e mantenha o posicionamento de autonomia da Câmara. Maia possui uma boa relação com os partidos de esquerda e deve articular o apoio destas siglas a um candidato mais moderado do centrão. Mesmo assim, não é descartado o lançamento de candidaturas da esquerda. As articulações devem continuar a dificultar a votação de medidas importantes na Câmara, incluindo a Legislação Orçamentária, a Reforma Tributária e outros marcos regulatórios.

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