Ainda podemos ter surpresas no segundo turno

Os eleitores irão às urnas no próximo domingo (29) para definir o comando de 57 dos 95 municípios com mais de 200 mil eleitores que não elegeram seus prefeitos em primeiro turno. Por conta da pandemia, o período de campanha foi de apenas duas semanas, bem mais curto do que o usual (que costuma variar entre 3 e 4 semanas). Com isso, houve pouco espaço para a realização de pesquisas e é possível que elas não retratem com fidelidade o comportamento do eleitor em algumas cidades importantes.

Após sofrer diversas derrotas no primeiro turno, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) até o momento não exerceu um papel preponderante no segundo turno. Isso se deve por dois motivos: em diversas cidades não há candidatos simpáticos ou alinhados ao Presidente; e em alguns casos os políticos têm buscado se dissociar da imagem de Bolsonaro, temendo que isso dificulte o crescimento entre os eleitores indecisos. Apesar disso, é possível que o Presidente se engaje em algumas disputas ao longo da semana, mesmo nas cidades em que seus candidatos estejam em situação de desvantagem, caso de Marcelo Crivella (Republicanos) no Rio de Janeiro.

Em muitas localidades, a disputa deve apresentar uma polarização entre candidatos de esquerda e direita. Apesar do primeiro turno indicar que o movimento conservador possui uma adesão expressiva e majoritária do eleitorado, candidatos de esquerda apresentam viabilidade em algumas cidades. É o caso de políticos do PT em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Isso pode trazer um resultado melhor para o partido do que o registrado em 2016, quando conquistou apenas uma das cidades que compõem o G96 (grupo das maiores cidades do país).

Algumas cidades possuem dois candidatos identificados como da centro-direita, caso de Goiânia, onde a disputa representa uma queda de braço entre caciques regionais. Nestas condições, ficam favorecidos os políticos mais moderados e com menor índice de rejeição. Por outro lado, nas cidades em que políticos da centro-direita disputam com a esquerda, o grande desafio é evitar o sentimento de “já ganhou” e conseguir evitar que os índices de abstenção se concentrem entre os eleitores conservadores, o que poderia trazer vantagem para os candidatos de esquerda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *