Eleições municipais se aproximam

As eleições municipais brasileiras serão realizadas no próximo domingo (15) após um período atípico de campanha por conta das novas regras impostas pela pandemia do coronavírus. Os eleitores irão definir o preenchimento de 67,8 mil cargos públicos para as funções de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores dos 5.570 municípios do país. Em 95 municípios (aqueles com mais de 200 mil eleitores), há a possibilidade de ocorrer um segundo turno se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta dos votos válidos.

Além das mudanças impostas pela crise sanitária, as eleições municipais serão as primeiras a serem realizadas com a proibição de coligações para cargos proporcionais. Em termos práticos, essa mudança significa que os candidatos ap cargo de vereador poderão contar apenas com os votos recebidos pelo seu próprio partido para atingir o quociente eleitoral.

Anteriormente, votos obtidos por outros partidos da coligação entravam nesse cômputo. O principal objetivo desta mudança é diminuir a fragmentação do sistema partidário (mais de 30 partidos possuem deputados federais eleitos) e diminuir os custos para que prefeitos, governadores e o Presidente atinjam bons níveis de governabilidade. Apesar disso, a expectativa é que a fragmentação diminua gradativamente e que alguns partidos iniciem um processo de fusão, mirando melhores resultados nas eleições federais e estaduais de 2022.

O presidente Jair Bolsonaro vai adotar uma postura mais intensa nesta semana e realizar uma série de lives para impulsionar a candidatura que apoia. Até o momento, o Presidente não fez um movimento consolidado, o que não trouxe muitos ganhos concretos para seus candidatos. Isso é refletido pelas últimas pesquisas Ibope, que apontam que cerca de 11% dos eleitores estariam dispostos a mudar de voto seguindo a sugestão de Bolsonaro. O grande risco para o Palácio do Planalto é não conseguir eleger aliados em cidades estratégicas, que poderiam exercer o papel de cabos eleitorais de Bolsonaro em 2022.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, duas das principais capitais no país, a tendência é que haja segundo turno, com perspectivas positivas para candidatos que representam a política tradicional. Em São Paulo, o atual prefeito Bruno Covas (PSDB) leva vantagem nas pesquisas. A outra vaga para o segundo turno é disputada entre o candidato de Bolsonaro, Celso Russomanno (Republicanos) e o candidato de esquerda Guilherme Boulos (PSOL).

Já no Rio de Janeiro, o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) tem desidratado nas últimas pesquisas e corre até mesmo o risco de ficar de fora do segundo turno. O que pode pesar a favor de Crivella é a divisão entre os eleitores de esquerda nas candidaturas do PT e do PDT. O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) lidera nas pesquisas e deve chegar como favorito no segundo turno.

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