Desentendimentos entre Bolsonaro e Guedes

O Palácio do Planalto adiou o “Big Bang Day”, evento destinado a apresentar a agenda econômica para o pós-pandemia. Na oportunidade, o Poder Executivo divulgaria as diretrizes do Plano Pró-Brasil, que incluiriam o Contrato Verde-Amarelo, a Renda Brasil, a Reforma Administrativa e outros temas para a Reforma Tributária.

O Planalto decidiu apresentar apenas a Medida Provisória (MP) 996/2020, criando o programa habitacional Casa Verde-Amarela. O novo programa reformula o Minha Casa, Minha Vida e pretende atingir mais de um milhão de famílias até 2024. A MP também prevê a retomada das obras paralisadas. A falta de consenso entre a equipe econômica e os membros da ala intervencionista do governo resultou no adiamento do “Big Bang Day”.

A ruptura interna do governo evidencia a disputa de narrativas sobre a melhor estratégia para impulsionar a retomada econômica do país no pós-pandemia. A falta de consenso pode impactar até mesmo a tramitação das propostas no Congresso Nacional, principalmente considerando que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem encontrado dificuldades de interlocução com os senadores. De acordo com avaliações do núcleo político do governo, a nova agenda da equipe econômica poderá enfrentar várias mudanças significativas após críticas do ministro aos senadores. O programa habitacional também cumpre a promessa do governo de reformular diversos programas sociais e deixar sua “marca social” para garantir e cristalizar o apoio às classes menos favorecidas, estratégia que tem mostrado resultados efetivos nos últimos meses.

Renda Brasil suspenso temporariamente

O presidente Jair Bolsonaro anunciou que suspendeu temporariamente a apresentação da proposta do Renda Brasil. O novo benefício social substituiria o Bolsa Família. De acordo com o Presidente, o Renda Brasil, em seu formato original proposto pela equipe econômica, “tiraria dos pobres para dar aos paupérrimos”, já que a equipe econômica pretendia extinguir benefícios como o Abono Salarial e incorporá-las ao Renda Brasil.

O mercado reagiu mal ao episódio, pois cria instabilidade na relação entre o Presidente e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, gerando preocupação quanto ao descompromisso do governo com a responsabilidade fiscal e até mesmo a permanência do Ministro no governo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), concordou com a decisão de Bolsonaro e afirmou que seria possível buscar fontes alternativas de receita para o Renda Brasil. Apesar da tensão crescente, Guedes minimizou o episódio e afirmou que Bolsonaro tem o direito de alterar a proposta, respeitando o limite do teto de gastos.

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