Crise na Amazônia afeta acordo entre MERCOSUL e UE

Após se reunir com grupos de ativistas ambientais na última semana, a chanceler alemã Angela Merkel tem sinalizado que o país não deve ratificar o acordo comercial entre o MERCOSUL e a União Europeia (UE). O porta-voz do governo alemão afirmou que um dos principais impasses é a agenda ambiental, em especial a situação da Amazônia.

Atualmente o acordo está em fase de tradução para os idiomas da UE e processo de revisão jurídica após 20 anos de negociações entre as partes. Os países do MERCOSUL, principalmente o Brasil, defendem a entrada em vigor o quanto antes.

As declarações de Merkel são especialmente importantes quando se considera que a Alemanha é um dos países que teriam os maiores ganhos com o aumento na exportação esperado na exportação de produtos com alta tecnologia. Além disso, a Alemanha não possui um agronegócio tão fortalecido quanto em países como a França, onde há uma pressão muito forte contra a entrada dos produtos brasileiros em condições ainda mais competitivas.

Esse quadro mostra que as ações do governo Bolsonaro na pauta ambiental precisam ser revistas para mitigar os impactos negativos da imagem do país frente à comunidade internacional.

A tendência é que o setor privado brasileiro comece a fazer ainda mais pressão para que o governo enderece de maneira mais assertiva as ações desta pasta, visando fortalecer atores como o vice-presidente Hamilton Mourão e a ministra da Agricultura Tereza Cristina em detrimento do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e outros integrantes da ala ideológica.

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