Bolsonaro 2022?

Uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas mostra que Jair Bolsonaro aparece em primeiro lugar em todos os cenários para as eleições de 2022. Segundo a pesquisa, o principal adversário de Bolsonaro seria o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, com 17,1% de intenções no primeiro turno contra 29% de Bolsonaro, e 35% contra 44,7% no segundo turno.

A pesquisa sugere que, apesar de ter perdido força política, Moro ainda não perdeu sua relevância e permanece como o principal rival político de Bolsonaro para 2022. Assim, ele provavelmente tentará a candidatura, com nomes como o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta tendo expressado interesse em formar uma chapa com Moro. No entanto, o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que deve apoiar uma proposta que estabelece um período de oito anos para que ex-juízes possam se candidatar a cargos políticos, o que impediria Moro de concorrer em 2022 – e tem chances de ser aprovada, dado que boa parte do Congresso também é contra sua candidatura.

Apenas Lula aparece com números maiores que Moro (21,9% no primeiro turno contra 27,5% de Bolsonaro, e 36,4% contra 45,6% no segundo turno), mas o ex-presidente dificilmente irá concorrer em 2022, pois está impedido pela legislação eleitoral. O que não significa que o ex-presidente deixará de converter votos para a chapa lançada pelo PT, em uma reprise das eleições 2018. Por outro lado, a presença de Fernando Haddad na pesquisa mostra que mesma a segunda liderança petista mais conhecida pela população ainda não conseguiu consolidar uma liderança para as próximas eleições, o que será necessário se o partido pretende não repetir o cenário de 2018.

Longe de traçar um cenário crível para o próximo pleito nacional, a pesquisa se desponta como uma fotografia do momento. No enquadramento dessa foto vemos que Bolsonaro vai abandonando a imagem de fragilidade no mandato e, com as bençãos do centrão, terá boas chances de enterrar novas discussões sobre um processo de impeachment. A fotografia também mostra que o fantasma de Moro ainda traz arrepios para a classe política, que teme ter que lidar com um presidente ainda mais arredio do que Bolsonaro no trato com o Congresso. Por fim, o canto esquerdo do retrato mostra um partido que ainda não conseguiu se despir das fantasias do seu antigo Presidente e que perdeu a capacidade de liderar a oposição, abrindo espaço para que outros players venham ameaçar a sua hegemonia.

Exercícios de futurologia são sempre complicados, ainda mais neste caso em que ainda estamos longe de conhecer as candidaturas que serão efetivamente lançadas. O que será que a próxima fotografia vai nos dizer?

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