Flávio Bolsonaro sem a defesa de Wassef

Frederick Wassef se retirou da defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) seguindo a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, em um de seus imóveis em Atibaia. Em nota publicada em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro agradeceu Wassef por sua competência e lealdade e afirmou que a mudança na defesa foi causada pois ele acredita que Wassef estaria sendo usado para prejudicar a ele e ao Presidente Bolsonaro.

Em substituição a Wassef, Rodrigo Roca foi contratado como novo advogado de Flávio. Wassef concedeu algumas entrevistas durante o final de semana afirmando que a família do Presidente não conhecia o paradeiro de Queiroz, mas não explicou porque ele estava morando em um de seus imóveis.

Na prática, a manobra é uma tentativa para desatrelar a imagem de Wassef da família Bolsonaro, mas deve surtir poucos efeitos práticos na condução das investigações. Os efeitos do caso Queiroz na base de apoio de Bolsonaro ainda são incertos e dependem do comportamento dos envolvidos e a possível descoberta de novos fatos que comprovem a participação direta do Presidente e de sua família no assunto, afetando também a agenda anticorrupção do governo.

Vale destacar, porém, que desde a prisão de Queiroz, o núcleo militar do governo, representado pelas figuras de Augusto Heleno (GSI), Braga Netto (Casa Civil), e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo); se mantiveram em silêncio sobre o caso – situação atípica, considerando que todos são ávidos defensores do governo.

Isto pode indicar que os militares do governo estão apreensivos com o desenrolar das investigações sobre o possível relacionamento da família Bolsonaro com milícias do Rio de Janeiro. Vale destacar que o próprio Presidente tem adotado uma postura muito mais comedida sobre o assunto, evitando exposições públicas que possam causar riscos à sua imagem – como a presença nas manifestações pró-governo e os tradicionais comentários na porta do Palácio da Alvorada. A prisão de Queiroz atinge o governo em um momento de fragilidade e reacende um caso que já havia perdido o destaque dentro do noticiário político.

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