Esplanada fechada, Weintraub e STF: o resumo das manifestações de ontem

Como de praxe, o final de semana foi marcado por manifestações tanto a favor como contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. A participação do atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub, nas manifestações de domingo na Esplanada dos Ministérios chamou atenção. Em vídeo, pode se ouvir o ministro reiterando sua posição favorável à prisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), conhecida desde a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril como parte do inquérito que investiga as acusações de Sérgio Moro contra Bolsonaro.

Ainda durante o final de semana, o STF foi alvo de ataques simbólicos por parte de militantes bolsonaristas, que soltaram fogos de artifício em direção à corte. O ataque é agora objeto de investigação por parte do Ministério Público Federal (MPF), que investiga ainda possível leniência da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) com os agressores. Em resposta aos ataques, Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal (DF), decidiu fechar a Esplanada dos Ministérios e proibir a realização de atos antidemocráticos nela. Após a manifestação, Ibaneis decidiu exonerar o subcomandante da PMDF.

A decisão do governador do Distrito Federal foi celebrada pelo STF e por outros governadores como uma vitória sobre o Palácio do Planalto. O cálculo é que com isso o governador estaria impondo limites ao Presidente, que é constantemente acusado de ser leniente com atos de teor antidemocrático. Este movimento é especialmente relevante quando se considera que Ibaneis Rocha tem posicionamento próximo a Bolsonaro, estando aliado ao Palácio do Planalto em diversas pautas.

Os atos do final de semana devem contribuir para acirrar ainda mais os ânimos entre os poderes, especialmente entre o Executivo e o Judiciário. Isto pode ter efeito negativo sobre as investigações que atualmente correm na corte e podem levar a ações mais concretas contra o governo de Bolsonaro.

Abraham Weintraub, por vez, deve ser objeto de ferrenha oposição devido às suas falas durante os atos. Dentro da Presidência é possível que o acontecimento seja utilizado por Bolsonaro como pretexto para finalmente exonerar o ministro, pleito este amplamente defendido por diversas frentes do governo, que veem no ministro um front de desestabilização que atua com projeto político próprio. Caso a exoneração se concretize, ela poderá ser entendida tanto como um aceno da Presidência ao STF tanto como uma nova oportunidade para que Bolsonaro ofereça o Ministério da Educação ao centrão, desta forma contribuindo para a consolidação de uma base de apoio dentro do Congresso Nacional.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *