O que esperar das acusações de Moro?

A semana será marcada por diversos novos acontecimentos no que tange o inquérito aberto para investigar as acusações feitas pelo ex-ministro Sérgio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro. Os delegados Ricardo Saad e Carlos Henrique Souza, ambos da Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro, além de Maurício Valeixo, pivô da crise entre Bolsonaro e Moro; devem prestar depoimento ainda hoje (11). Já na terça-feira (12), os ministros Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos devem ser ouvidos. Por fim, na quinta-feira, a deputada federal Carla Zambelli (PSL/SP) prestará seu depoimento.

Ainda esta semana, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve decidir se torna público o vídeo entregue pelo Palácio do Planalto que consta a íntegra da reunião em que Bolsonaro teria supostamente pressionado Moro pela troca do comando da PF. Posteriormente, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se irá denunciar Jair Bolsonaro por obstrução da justiça, advocacia administrativa e corrupção passiva privilegiada.

Os depoimentos podem trazer mais instabilidade ao governo federal, que deve atuar ativamente durante a semana para minimizar possíveis críticas e problemas que podem decorrer destes. Apesar disso, até o momento, poucos elementos demonstram de fato que as acusações de Sérgio Moro devem levar a PGR à denunciar o Presidente da República – esta decisão caberá ainda ao procurador-geral Augusto Aras. Indicado por Bolsonaro ao cargo, existem temores que Aras atue a favor do governo – somam-se a estes os rumores de que Bolsonaro estaria considerando indicar Augusto Aras para vaga no STF que abrirá no fim deste ano.

Estes movimentos serão essenciais para determinar quão crítica a saída de Moro do governo foi para o apoio popular ao governo – até o presente momento, as pesquisas de opinião apontam que Bolsonaro conseguiu conservar uma parcela da população, que pode diminuir a depender dos conteúdos divulgados no decorrer da semana (pequenas desidratações na base começaram a ser sentidas na última semana).

Caso Aras decida pela denúncia, esta deverá ainda ser avaliada pela Câmara dos Deputados e, caso aprovada, resultará no afastamento de Bolsonaro do cargo de Presidente por 180 dias. Neste sentido, vale destacar que Bolsonaro vem se antecipando a este cenário e tentando construir uma base de apoio mais estável dentro da Congresso por meio da oferta de cargos a parlamentares do centrão. Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), vem atuando para aliviar a crise e evitar atritos com o Executivo – cenário este que pode dificultar o avanço de possíveis denúncias contra Bolsonaro. 

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