Um olho no mercado e outro no Centrão

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu na manhã desta segunda-feira (27) com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Netto e com os ministros Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Tereza Cristina (Agricultura).

Um Olho no Mercado…

Em entrevista coletiva na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que:

“O homem que decide a economia no Brasil é um só: chama-se Paulo Guedes. Ele nos dá o norte, nos dá recomendações e o que nós realmente devemos seguir.”

Guedes reforçou a determinação do governo de manter a diretriz de controle de gastos públicos e comentou que o plano Pró-Brasil será realizado dentro dos programas de recuperação fiscal. O Ministro ainda afirmou que irá enviar ao Congresso nesta semana um programa para descentralizar recursos para estados e municípios. O programa vai prever contrapartidas como a não concessão de ajustes aos servidores públicos.

Ainda, Paulo Guedes participa nesta quinta-feira (30) de audiência na Comissão Mista para fiscalização das ações de combate ao coronavírus para explanar sobre as ações do governo na área da Economia.

A reunião do Presidente com os Ministros que compõem o núcleo técnico-econômico do governo foi um movimento calculado para acalmar os ânimos do mercado e desmentir os rumores de que Paulo Guedes e Tereza Cristina estariam planejando desembarcar do governo.

Essa oportunidade também serviu para inaugurar uma nova linha de ação em meio à pandemia e conferir ao ministro Paulo Guedes mais protagonismo nas ações de reativação do crescimento econômico.

Essa mudança de ação pode resultar em alterações no plano Pró-Brasil, trazendo mais participação do setor produtivo, já que uma das principais críticas da equipe econômica é que as ações contidas no programa dependem substancialmente de recursos públicos.

A grande dúvida é se esse novo posicionamento será mantido ou se o núcleo militar vai voltar a exercer influência preponderante nas ações econômicas de combate ao coronavírus.

O Outro no Centrão…

Após a demissão do Ministro da Justiça, Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro deve continuar o processo de aproximação com líderes do “Centrão”.

Anteriormente, Bolsonaro já havia acenado para os partidos em tentativa de formar uma base para se contrapor ao Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ). Agora, a aproximação deve continuar inclusive para tentar se proteger de um possível processo de impeachment no futuro. Deputados têm afirmado que não veem o momento como propício, dado que seria um processo desgastante.

Maia e o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM/AP), não se pronunciaram sobre a demissão de Moro, avaliando que isso apenas acirraria mais os ânimos do conflito com o Executivo.

O caso é que em fevereiro de 2021 haverá a eleição para a sucessão de Maia na presidência da Câmara, e Bolsonaro já entendeu que precisará trabalhar para que o nome escolhido não lhe seja algo parecido com o que Eduardo Cunha foi pra Dilma.

Até por isso, aqui em Brasília as negociações de cargos correm soltas: se escuta que o Porto de Santos teria sido ofertado ao deputado Ciro Nogueira (Progressistas-PI) e a Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Ambos teriam declinado.

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