Saída de Moro marca nova fase do governo Bolsonaro

A Saída de Sérgio Moro marca um ponto de inflexão no governo Bolsonaro. Se no ano passado havia dúvida de qual núcleo teria mais proeminência sobre o presidente, agora fica claro que os militares e o grupo mais ideológico são os mais importantes para as definições de governo.

A demissão do Diretor-Geral da Polícia Federal foi a gota d’água, mas está muito longe de ser o único motivo do pedido de demissão do Ministro da Justiça.

Moro foi se afastando gradualmente do núcleo duro do governo na medida em que nunca aderiu ao discurso ideológico, como fez Ernesto Araújo ou Onyx Lorenzoni.

Parte desse isolamento dentro do governo, foi explicitado na entrevista coletiva, na qual o Ministro anunciou sua saída.

A Despedida de Moro

Na coletiva que anunciou sua saída, Moro ressaltou que mesmo no governo petista, foi garantida a autonomia da Polícia Federal. Dessa forma, para Moro não foi aceitável a interferência na PF em um governo que faz parte.

Moro também colocou como única condição para assumir o cargo foi que sua família não ficasse desamparada caso algo lhe acontecesse. Ressaltou que nunca pediu indicação ao Supremo Tribunal Federal.

Moro fez um breve balanço de sua administração no Ministério da Justiça, em especial, o foco no combate a criminalidade organizada. Citou vários números que comprovam sua efetividade com a queda da criminalidade.

A Disputa pelo Comando da PF

Na coletiva, Moro ressaltou que teve apoio do presidente na maior parte dos temas. Mas que a partir do segundo semestre do ano passado, o presidente pressionou pela alteração nos quadros da Polícia Federal, em especial na superintendência do Rio de Janeiro.

Segundo Moro, no mesmo período, o presidente também passou a pressionar pela saída do Diretor-Geral. No entanto, em nenhum momento o presidente apresentou uma causa técnica. Ou seja, seria uma clara interferência política.

Moro também disse que Bolsonaro gostaria de trocar vários superintendentes, como Pernambuco, além do Rio de Janeiro. Da mesma forma, segundo Moro, sem nenhum fundamento técnico para isso.

Moro buscou um nome técnico para substituir Valeixo, o Secretário Executivo da PF. O presidente preferiu ignorar a sugestão de Moro e buscar outros nomes de sua preferência.

Segundo o ministro , Bolsonaro queria um nome que pudesse ”ligar e pedir informação”’, o que Moro entende ser um papel deturpado da PF. Mesmo a intenção de deixar o cargo de Valeixo não seria totalmente verdadeira. Isso seria mais resultado da pressão que sofreu para sair.

O presidente também informou que tinha preocupação com inquéritos no STF, mais um motivo que motivaria a saída do DG da Polícia Federal.

Moro afirmou que não assinou a exoneração de Valeixo e que soube pela publicação do Diário Oficial. Ou seja, não houve qualquer pedido como foi publicado. Segundo Moro, a forma da exoneração deixa claro que o Presidente não o quer no cargo.

O Impacto da Saída de Moro

A coletiva trouxe muitas acusações graves contra o presidente. O impacto político deve ser enorme, inclusive dando força para pedidos de impeachment, que estão hoje na mesa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

A fala de Moro expõe pelo menos três crimes de responsabilidade. Um processo de impeachment requer o requisito jurídico – que está dado -, e o político, que parece estar se consumando nesse exato momento em Brasília.

Além disso, a demissão de Moro deve ter um alto custo político para o governo e é possível que as próximas pesquisas de popularidade registrem um aumento da parcela que avalia o governo Bolsonaro como ruim ou péssimo.

Diferentemente do que ocorreu com Mandetta, a demissão de Moro tem caráter divisivo justamente na camada do eleitorado que compõe o núcleo duro de sustentação de Bolsonaro (cerca de 1/3 da população brasileira).

Neste sentido, pode ser registrado uma desidratação justamente nesta parcela que o Presidente se esforça em manter ao seu lado.

Moro saiu e pode ter levado consigo a própria sustentação do governo Bolsonaro.

2 thoughts to “Saída de Moro marca nova fase do governo Bolsonaro”

  1. Pronto! Agora o Bozo vai usar os dados da PF para instalar sua ditadura e perseguição. Como o próprio Moro disse, nem nos governos petistas a autonomia da PF foi desrespeitada!!

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