Mais Braga Netto, menos Paulo Guedes

Já fazem algumas semanas que se comenta em Brasília sobre o sumiço do Ministro da Economia (MEcon), mas a ausência de ontem (22) no lançamento do programa Pró-Brasil, evidenciou que o General Braga Netto ganhou proeminência mesmo em temas econômicos.

A constatação acima tem um impacto direto na visão liberal que vinha sendo a tônica da atuação do governo Bolsonaro, sob a batuta do PG. Com menos Guedes e mais Braga Netto, é de se esperar que o governo volte a intervir mais na economia.

É incerto o quanto a equipe econômica colaborou com o tal do Plano Marshall brasileiro. Ao que parece, muito pouco, visto que nem mesmo secretários do MEcon estavam no lançamento.

E a perda de interlocução do PG não parece ter ocorrido somente no Poder Executivo.

A Perda da Interlocução do PG também na Câmara dos Deputados

A desavença pública do Ministro com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, chegou ao ponto de ausência total de interlocução mesmo, muito por causa (mas não só por isso) da aprovação do plano de socorro aos estados, o ex-plano Mansueto, na Câmara.

Aliás, foi Mansueto Almeida, Secretário do Tesouro, quem passou a ser o interlocutor de Maia. Isso porque o avanço das pautas econômicas é praticamente impossível sem a articulação do MEcon com a presidência da Câmara.

Com o objetivo de melhorar a relação com o parlamento e isolar Rodrigo Maia,  foram retomadas negociações com o partidos de centro, sob a coordenação de Braga Netto. Ainda não se sabe se nessas negociações entrarão posições na Economia, mas é fato que ocorrerão mudanças na estrutura do Ministério em breve.

Mudanças Internas no Ministério da Economia

O atual Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais (Secint), o ex-diplomata Marcos Troyjo, está de malas prontas para ir para Xangai, onde deve assumir a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o chamado banco do BRICS. Ainda não se tem notícia de seu substituto.

Pelo caráter técnico da Secint, seria uma surpresa se essa posição entrasse na negociações políticas. Até pela necessidade do comércio exterior na retomada da economia no período pós-COVID-19, o ideal seria que alguém que conheça o tema e máquina pública fosse o indicado para a vaga.

O Efeito Corona

O que parece é que o PG não se sente confortável em tocar uma agenda de recuperação econômica com forte intervenção do estatal. Em live do BTG Pactual, o Ministro repetiu a mensagem que já se escuta em várias entrevistas recentes: estávamos indo bem até que fomos atropelados pelo Coronavírus. Parece ter sido esse acidente que colocou os militares com a mão na economia também.

É verdade que a disputa de visão do papel do estado entre os militares e os liberais já estava mapeada desde a campanha eleitoral. Por causa da crise sanitária, Guedes acabou perdendo um pouco de sua aura de iminência postoipiranguista. 

O fato é que o efeito corona vai passar. Se houver condições da agenda econômica de 2019 voltar (com a discussão do Pacto Federativo, da Reforma Tributária, Reforma Administrativa, etc.), com certeza Guedes volta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *