Os rumores que cercam Mandetta

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS). “Algumas pessoas no meu governo, algo subiu à cabeça deles”, afirmou no fim da tarde de domingo (5), pouco antes de se encontrar com um grupo cristão nos jardins do Palácio da Alvorada. “Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas. Falam pelos cotovelos. Tem provocações. Vai chegar a hora deles. A minha caneta funciona”. Também no fim de semana, Mandetta participou, por vídeo pré-gravado, de duas lives de cantores populares (a dupla sertaneja Jorge e Mateus e o cantor de forró Xand Avião) e reforçou a recomendação para que as pessoas evitem aglomeração.

Anteriormente, Bolsonaro havia dito que só não demitiria o Ministro porque o país está “no meio de uma guerra”. Mandetta tem sofrido cada vez mais pressão do grupo ideológico do Palácio do Planalto para flexibilizar as instruções da pasta quanto ao modelo de distanciamento social. Desde que a crise sanitária ganhou força no País, o Ministro da Saúde se tornou um dos políticos mais bem avaliados, mas foi desautorizado em diversas ocasiões pelo Presidente e foi alvo de ações com o objetivo de retirar seu protagonismo nesta questão. O processo de fritura de Mandetta foi iniciado nos bastidores com a circulação de um vídeo que sugere a existência de um esquema dentro do Ministério da Saúde para a implantação de um software de telemedicina.

O cenário atual mostra situações muito semelhantes àquelas que antecederam à queda de outros Ministros do governo, como o ex-secretário geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e o ex-secretário de Governo, general Santos Cruz. O grande fator que diferencia Mandetta de outros ministros é a sua central nos esforços de combate à pandemia que assola o país e sua elevada taxa de popularidade – uma aprovação que encontra poucos paralelos na história recente do Brasil.

Neste sentido, é pouco provável que o Presidente esteja disposto a arcar com o ônus político de demitir o mais novo “superministro”, mas as movimentações nos bastidores tendem a desgastar ainda mais esta situação. Enquanto o destino da pasta segue incerto, duas figuras tentam se destacar como potenciais substitutos de Mandetta. O nome mais forte é o do deputado federal e ex-ministro da Cidadania Osmar Terra (MDB/PR), que tem tecido duras críticas às medidas de isolamento em suas redes sociais. Terra recentemente perdeu seu posto na Esplanada para que Bolsonaro conseguisse reposicionar Onyx Lorenzoni (DEM/RS), mas ainda assim conta com o respaldo do núcleo ideológico e tem relação próxima com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Outro possível substituto é o diretor da Anvisa, Antonio Barra, que também é crítico ao isolamento social e esteve ao lado de Bolsonaro quando o presidente se encontrou com populares que se manifestavam em frente ao Palácio do Planalto.

Assim como a pandemia da COVID-19, essa situação parece estar bem distante de um fim…

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