A fusão social de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou o domingo (29) para sair às ruas do Distrito Federal. Na ocasião, Bolsonaro foi filmado cumprimentando apoiadores, visitando o comércio local, e defendendo que a população menos vulnerável ao COVID-19 volte ao trabalho normalmente. Houve aglomerações em torno do Presidente de pessoas que queriam tirar fotos com ele. Posteriormente, Bolsonaro levantou a possibilidade de editar decreto liberando trabalhadores de todos as áreas a voltarem ao trabalho. O ato foi realizado após o presidente se reunir com ministros no sábado (28), quando o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS) supostamente teria dito que seria obrigado a criticar o presidente caso ele insistisse em sair às ruas. Nos bastidores comenta-se que Bolsonaro teria dito que demitiria Mandetta caso isso ocorresse.

O presidente Bolsonaro vem adotando postura oposta àquela defendida por Mandetta, o que tem gerado desgastes internos e rumores de que Mandetta pode deixar o cargo de Ministro da Saúde. Por enquanto este cenário é improvável, tendo em vista que o ministro tem capitalizado politicamente no gerenciamento desta crise e sua saída poderia ser mal interpretada pela população, causando prejuízos à sua imagem. Apesar disso, Bolsonaro deve continuar forçando a mão a favor da reabertura do comércio, o que deve colocá-lo em rota de colisão com alguns governadores e com parlamentares – esta postura, por sua vez, busca blindar o Governo Federal dos impactos negativos da pandemia na economia brasileira e transferir o ônus da queda dos indicadores econômicos aos governos estaduais. Cabe reforçar que, neste sentido, a presença de Mandetta no governo é positiva para Bolsonaro, uma vez que o Presidente pode continuar a defender discursivamente o fim das medidas de isolamento social, enquanto a área técnica da saúde continua a adotar as políticas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).  Isto deve contribuir ainda mais para que a governabilidade de Bolsonaro se deteriore, tendo em vista que os governadores devem continuar a contrapor e judicializar algumas das medidas impostas pelo Executivo Federal ao passo que os parlamentares provavelmente se articulariam para derrubar um decreto com o teor mencionado.

Alguns estados seguiram Bolsonaro

Governadores de Mato Grosso (Mauro Mendes – DEM), de Rondônia (Marcos Rocha – PSL), e de Roraima (Antonio Denarium – PSL), aderiram ao que foi proposto pelo presidente Jair Bolsonaro e flexibilizaram medidas de isolamento social em seus estados. Em grande maioria, os decretos dos governadores liberam atividades como restaurantes, bares e serviços de entrega a funcionarem. Já o governador de Santa Catarina (PSL), anunciou que iria prorrogar o prazo de medidas de isolamento social após enfrentar manifestações contrárias ao seu plano de retomada da economia do estado a partir de 1º de abril. Representantes do setor do varejo, por outro lado, adotaram discurso favorável à abertura gradual do comércio aliada à coordenação entre estados, municípios e União para manutenção da atividade econômica.

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