Violência na escola: por que alguns jovens estão muito agressivos?

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Uma primeira constatação: vivemos numa sociedade violenta e a escola está inserida neste contexto.  Certamente, a agressividade não é característica exclusiva dos jovens. Somos estimulados, constantemente – numa sociedade capitalista, individualista e egoísta – para o sucesso individual em detrimento das ações coletivas.  Durante séculos, a escola se constituiu como uma espécie de célula isolada do corpo social; uma redoma quase instransponível, isolando professores e alunos do restante da comunidade. Nesse ambiente de isolamento, similar a uma prisão, naturalizaram-se várias formas de violência. Modelos pedagógicos opressores, pouco democráticos, e avessos a métodos participativos. Professores distantes dos alunos, numa relação verticalizada e muitas vezes autoritária. Alunos passivos, muitas vezes revoltados. Nos últimos anos essa estrutura piramidal de ensino tem sido corroída. O conhecimento não é mais monopólio dos professores: com a internet, por exemplo, os alunos têm várias outras fontes de informação. As relações de poder transformaram-se substantivamente. Ademais, à medida que se ampliaram os direitos de cidadania, os alunos não aceitam mais as tradicionais imposições de um ambiente tão hierarquizado. Por outro lado, com as famílias (e outras instituições de controle social) exercendo menos supervisão sobre os adolescentes e jovens, a escola foi assumindo tarefas que não lhes são próprias.  Nesse ambiente, onde as partes muitas vezes não se reconhecem – e não se relacionam – há facilidade para o recrudescimento de vários tipos e formas de violência.  Porém, muitos estudos têm demonstrado que é preciso instituir novas relações entre professores, alunos, família e a comunidade para a construção de escolas menos violentas. A partir de concepções de ensino mais democráticas, baseadas em relações menos hierarquizadas e mais participativas, é possível viver num ambiente escolar pacífico. Pretende-se, com isso, uma escola menos conteudista e disciplinadora, e mais preocupada com a educação para a cidadania, a política e a ética (exigências fundamentais para uma sociedade verdadeiramente democrática).  Algumas perguntas para refletir sobre a violência nas escolas: onde estão os nichos de violência no ambiente escolar? Como identificá-los e transformá-los? Quem são os responsáveis por uma escola menos violenta? Como pactuar com nossos alunos novas formas de relações, baseadas na ética, no respeito e na solidariedade? Idealizar uma escola de “anjinhos” é impensável. Mas é preciso ter coragem para mudar. E a escola, apesar desses desafios, constitui-se como a melhor das possibilidades na construção de uma sociedade menos violenta. A escola pode contribuir para a construção, na nossa sociedade, de uma cultura da paz.
(Fonte: texto de nossa autoria, publicado no Portal Educar Brasil; editado)

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