Uma mulher cardeal?

Publicado em
O estilo surpreendentemente inovador que vem marcando os primeiros meses de pontificado do Papa Francisco parece indicar que reformas profundas acontecerão não somente na Cúria Romana, mas na relação da Igreja institucional com o mundo, numa retomada do Concílio Vaticano II.
Depois de nomear um cardeal considerado novo e pouco influente na Cúria para substituir o todo-poderoso Tarcisio Bertoni no segundo cargo mais importante da Santa Sé; de admitir que o “papa é um pecador”; de recomendar mais atenção aos princípios evangélicos de amor e misericórdia e menos apego a questões morais expressas numa retórica de confronto e confinamento e de denunciar o sistema econômico global (“sem ética, idólatra e que nos faz tanto mal”), o Papa poderá surpreender o mundo com a nomeação de uma mulher com o título de cardeal.
Segundo o jornalista e reconhecido vaticanista espanhol Juan Arias, do El País, na entrevista concedida na semana passada ao periódico Civiltà Catolica (leia neste blog: http://www.dzai.com.br/robsonsavio/blog/conversandodireito?tv_pos_id=138103), ao dizer que “a Igreja não pode ser ela mesma, sem a mulher”, o Papa não fez apenas uma declaração. “É uma acusação. A frase também pode ser lida da seguinte forma: “A Igreja ainda não está completa, pois falta-lhe a mulher.” 
“Francisco acredita que a resolução da questão da mulher na Igreja é algo urgente. Como entrar na Igreja esta peça essencial, sem a qual a Igreja “não pode ser ela mesma”? Ele disse na mesma entrevista: “Precisamos de uma profunda teologia da mulher”.
Mas, qual gesto colocaria a mulher no centro da discussão sobre seu papel na hierarquia da Igreja? Continua Arias: “E um desses gestos seria a nomeação de um cardeal feminino. O que é impossível? Não. Hoje, de acordo com o direito canônico, para ser cardeal basta ser diácono. E uma mulher poderia ser admitida ao diaconato amanhã”.
Vamos aguardar…

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *