Tentando entender o “”furacão Marina””

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Mas, o que é o NOVO?
– Estou tentando entender o discurso da “nova política” pregado por Marina. Ou melhor, estou me esforçando… Tentando escapar dos preconceitos; do medo do novo; dos dualismos. 
– Entendo que por um lado, o DESEJO do novo – expresso na palavra “mudança” que retumba desde as jornadas de junho 2013 (que vem dos jovens, redes sociais, descrença na/da política institucional, etc.) pode explicar, em boa medida, o (possível) furacão (porque Marina, cada vez mais, será colocada em xeque a partir da agora). Marina conseguiu capitalizar parte desse desejo. Temos que reconhecer…
– Mas o que mais me intriga: o discurso de Marina é altamente conservador e, até certo ponto, retrógrado: 
(1) negar a mediação de instituições democráticas, como os partidos (por piores que sejam): para uma democracia representativa, isso é um pensamento pré-democrático (numa sociedade que não experimentou ainda três décadas de democracia). Importa enormes riscos… Precisamos atuar para modificar, depurar, melhorar os partidos. Não é possível democracia sem partido político. Caso contrário, ditadura ou outras formas de totalitarismo.
(2) Colocar-se acima dos partidos e das instâncias políticas, como mediadora direta entre sociedade e governo: isso é populismo do mais tradicional, centralizador; do tipo “salvador da pátria”.
(3) Negar o papel das instituições democráticas e, paradoxalmente, usar-se delas para propagar seu discurso. Cheira oportunismo.
(4) Peitar tais instituições, colocando-se acima delas, mostrando-se refratária à composição e ao diálogo quando fere seus interesses: foi assim com o PT; depois, com o PV; já está acontecendo com o PSB. É impossível um partido à sua imagem e semelhança…
– Para todos os efeitos, volto a afirmar: o DESEJO da POSSIBILIDADE de mudança somado ao ódio figadal de uma significativa parcela da sociedade e da mídia em relação ao PT poderá corroborar na formação de um contingente eleitoral capaz de ofuscar evidências da ambiguidade e inconsistência do discurso de Marina e seus arranjos políticos e decidir essas eleições presidenciais.
Bom… Mas tudo isso poderá mudar quando Marina experimentar “a vida como ela é”. E poderá, também, proporcionar boas surpresas. Será?
E agora, Dilma? Resta recorrer, o mais rapidamente possível, ao carisma de Lula. O único, penso, que poderá ofuscar, em boa medida, o furacão marineiro. 
Ressalvando, com o velho ditado popular: “quanto mais alto o voo, mais alta a queda”.

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