Sobre rolezinhos

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Segregada nas periferias das grandes cidades, boa parte da juventude brasileira assistia, até bem pouco tempo, o espetáculo nos templos de consumo (os shopping centers) que brotam fulgurantes nas cidades. 

As políticas de distribuição de renda implementadas pelo Estado nos últimos anos (necessárias, mas insuficientes para garantirem o pleno exercício da cidadania) possibilitaram aos jovens novas perspectivas de vida. Porém, para parcelas conservadoras  da sociedade, esses horizontes juvenis não deveriam ultrapassar os guetos das periferias e a entrada na “sociedade civilizada” só era permitida na condição de “consumidores” e mais nada…
Mas os jovens, culturalmente revoltados com a delimitação de seus espaços de sociabilidade, não se contentam mais com tênis de marca e smartphones. Querem também diversão e arte. Não se contentam em participar da “mesa do consumo” como meros objetos. 
Inconformados com a carência de espaços públicos e privados de encontro e diversão (dado que os espaços públicos nas grandes cidades ou são privatizados ou passam por processos de readequação visando a oferecer lazer para os segmentos mais abastados), os jovens da periferia, usando das redes sociais e em bando (forma de autoproteção contra o velho aparato de repressão utilizado historicamente pelo Estado para conter os pobres)   iniciaram importante movimento no qual explicitam algumas das mazelas da nossa sociedade. 
Usando os templos de consumo dos “homens de bens” como local de protesto, forçam um debate impostergável: nossas cidades são para todos ou para alguns? 
O conflito que se instala com a ação dos rolezinhos é legítimo e civilizatório:  excelente oportunidade para se discutir “que país é este”.

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