Sobre as manifestações de 7 de setembro

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Em junho/julho, cerca de 3 milhões de brasileiros tomaram as ruas das nossas cidades. Um movimento amplo que exigia uma nova institucionalidade, baseada sobretudo na ampliação dos direitos de cidadania. Demandava um modelo de cidade inclusiva, em contraposição ao modelo FIFA – que utiliza de recursos públicos para benefícios privados.
Neste Sete de Setembro, umas 30 mil pessoas estavam nas ruas das cidades. O movimento foi capitaneado, em boa medida, por grupos radicais. (Ressalve-se, aqui, o movimento intitulado “Grito dos Excluídos” que, há anos, manifesta-se no Sete de Setembro, denunciando as várias formas de exclusão que persistem no Brasil.). 
Quebrar agências bancárias não muda o sistema financeiro. Destruir patrimônio público não melhora as políticas públicas – ao contrário alimenta uma indústria de reposição (a indústria de vidros agradece) com o erário público.
Ademais, a violência espanta muitos cidadãos das praças e ruas. Impede a livre manifestação das pessoas. Inibe esse importante mecanismo de pressão social.
Eleger “bodes expiatórios” não melhora a qualidade dos nossos políticos. Serve apenas para “purgar” uma espécie de culpa coletiva e esconder, jogar para debaixo do tapete, os verdadeiros males da política nacional. O principal deles: o capital privado que sustenta, financia e manipula o atual sistema eleitoral para favorecer seus interesses em detrimento dos interesses públicos e republicanos…
Na democracia, o voto é o melhor e mais eficiente instrumento de mudanças.
Aproveitando-se da situação, ou seja, da tomada das ruas pelos radicais, a velha estrutura do Estado repressor voltou-se com toda a força. Toda a sorte de arbitrariedade e a certeza da impunidade. Cenas lamentáveis que beiram a selvageria. A insensatez, somada à ignorância e à arrogância daqueles que deveriam primar pelo respeito à lei mostram a necessidade civilizatória de uma profunda reforma em todas as instituições do sistema de justiça criminal, aqui incluso o sistema de segurança pública.
Muitos segmentos da direita e da extrema direita, ávidos pela manutenção do status quo numa sociedade cada vez mais democrática e plural, desejam ardorosamente uma guinada conservadora. Filhotes do velho pacto das elites, que historicamente mandaram neste país, assistem sorridentes às cenas de barbárie, torcendo para a instalação do caos e do medo, condições indispensáveis para se justificar o predomínio da violência e a volta gloriosa dos antigos coronéis – os honrosos homens de bens, retos, probos, de punho firme, defensores da moral e dos bons costumes.
A reforma política (com financiamento exclusivamente público das campanhas) e o aprofundamento da democracia participativa são os únicos instrumentos capazes de ampliar a cidadania. 
Não sejamos tolos nem inocentes úteis… Diz o velho ditado, “de boas intenções o inferno está cheio”. 
É preciso separar o joio do trigo. Os democratas progressistas que querem um país mais justo e igual PARA TODOS, a lutar por reformas institucionais que ampliem a democracia participativa, daqueles que querem um país mais justo e igual, PARA ALGUNS…

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