Sobre a nova e a velha classe média

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Não podemos generalizar. Afinal, uma significativa parte dos integrantes da classe média não é reacionária. Ao contrário, existem muitos segmentos da classe média que são progressistas e democráticos. Compartilham ideais de solidariedade e desejam a justiça social.
Mas ainda existem muitos resquícios da velha classe média na sociedade brasileira. Nessas manifestações pelo Brasil isso pode ser observado.
Sem o intento de quaisquer rotulações, porque acredito na diversidade – que não combina com tentativas de padronização -, vamos refletir:

è Quem não tem rumo e propósito nas manifestações? Os da turma do “oba-oba” da velha classe média, que não conhecem nem militam em movimento e na luta social, porque dormem em berço esplêndido e só agora perceberam que o “gigante”, há muito, está acordado. 

è Quem tem medo de política? Os autoritários da classe média, que se julgam donos da verdade; detestam o pluralismo democrático e abominam as “minorias”.

è Quem aplaude o caos e gosta do clima da desordem? Os reacionários da velha classe média, que anseiam pelo estado de exceção para justificar o arbítrio contra os pobres.

è Quem tem medo das manifestações politizadas? A velha classe média que teme que o Estado atenda as demandas populares e se democratize.

è Quem aparece na maioria das imagens das arenas, geradas pela Fifa? Os “limpinhos” da velha classe média que gostam de estádio de futebol, desde que seja só para eles.

è Quem flerta com o totalitarismo? A velha classe média reacionária.

è Quem gosta de “polícia para quem precisa”? A velha classe média que clama pela lei e pela ordem, desde que seja para controlar e reprimir os pobres; afinal se julgam “gente de bem… e de bens”.

è A quem se dirige a mídia golpista? A velha classe média que não abre mão do status quo, numa sociedade que ainda ostenta privilégios de classe. 

è Quem brada insistentemente pelo alargamento do estado penal? A velha classe média que exige leis draconianas, desde que seja para os outros.

è Quem tenta deslegitimar as instituições democráticas? A velha classe média que tem medo de perder privilégios.A classe média é poderosa… Não pode ser subestimada.Que a classe média democrática não se sucumba, neste momento de manifestações legítimas e democráticas, ao grupo minoritário e reacionário que auspicia o caos – primeiro passo para a instalação do arbítrio.A paz é fruto da JUSTIÇA. (Is 32,17).DOIS ADENDOS:(1) o debate sobre a urgência da reforma da segurança pública e das polícias está posto. Temos insistido, há algum tempo, que sem a democratização da segurança pública não há sociedade democrática.(2) Algo novo poderá surgir a partir destes protestos. Não tenho a capacidade de prevê-lo, mas sinto que há uma esplêndida pujança que conecta os protestos no Brasil ao desejo de mudança planetário, em curso também em outros países. 

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