Sistema de Indicadores Nossa BH mostra uma cidade controversa

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O evento de lançamento do sistema de indicadores Nossa BH, ocorrido na Câmara Municipal de Belo Horizonte na última terça-feira(6), teve uma presença marcante de gestores públicos, dirigentes de partidos políticos e lideranças sociais interessadas em conhecer melhor os dados sobre a cidade. Oded Grajew, coordenador geral da Rede Nossa São Paulo foi o primeiro palestrante, apresentando o Programa Cidades Sustentáveis, plataforma que tem por objetivo a mobilização de candidatos e sociedade em prol da qualidade de vida nas cidades. O programa, realizado pela Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, Rede Nossa São Paulo e Instituto Ethos, com apoio da Fundação Avina e Instituto Arapyaú, oferece um banco de dados de boas práticas de sustentabilidade existentes em todo o mundo, alinhados a centenas de indicadores, agrupados por 12 eixos temáticos, envolvendo políticas públicas vitais como saúde, educação, cultura, entre outros. O empresário, conhecido pela sua forte atuação em prol da responsabilidade social empresarial, destacou a importância dos candidatos aderirem ao programa através da carta-compromisso, que compromete partidos e pré-candidatos nas próximas eleições municipais a incorporarem a sustentabilidade nos seus programas de governo. Em seguida, Gláucia Barros, integrante do Movimento Nossa BH (MNBH), destacou a relevância do sistema para a discussão com as comunidades das quarenta sub-regiões avaliadas em seus indicadores de saúde, educação, violência, juventude, meio ambiente e assistência social. A representante do MNBH ressaltou a importância da aprovação em segundo turno pelos vereadores da Proposta de Emenda à Lei Orgânica que institui a obrigatoriedade do plano de metas para a cidade, coerente com os programas apresentados à época das campanhas eleitorais. Elvis Bonassa, Diretor da Kairós Desenvolvimento Social, que realizou o levantamento dos dados, apresentou o sistema para o público, mostrando que Belo Horizonte é uma cidade controversa. Entre os dados fornecidos, chamou a atenção o índice de baixo peso ao nascer, o pior entre as 27 capitais do país. Em 2010, o índice foi de 10,61%, o que corresponde a 3.285 casos. Por outro lado, a cidade está em primeiro lugar no baixo índice de mães adolescentes, de domicílios sem rede de água e de desemprego. Entre as regionais, os números mostram a desigualdade existente dentro da capital: o índice de agressão às mulheres varia de 2,37% na região Oeste 5 (Buritis, Estoril, parte do Olhos D’Água (Parte) e do Santa Lúcia) para 38,43% na região Noroeste 5 (Bairros Aparecida, Bom Jesus, Bonfim, Ermelinda, Lagoinha (parte), Nova Cachoeirinha, Nova Esperança, Pedreira Padro Lopes, Santo André, São Cristóvão (parte), Senhor dos Passos, Sumaré, Vila Maloca, Vila Nova Cachoeirinha 1ª Seção, Vila Nova Cachoeirinha 2ª Seção. A região também está entre as piores no índice de homicídios. Após a apresentação, cidadãos e gestores debateram os dados mostrados. O Secretário de Planejamento Orçamento e Informação da Prefeitura Municipal, Paulo Bretas, falou da importância de ir além do número, que muitas vezes não traz em si as informações necessárias para o planejamento e o combate aos problemas sociais. O sistema já está disponível no site do Movimento através do link: www.nossabh.org.br/indicadores   Sistema de Indicadores Nossa BH Elaborado a partir de dados oficiais fornecidos pelos governos federal, estadual e municipal, o sistema reúne 73 indicadores (45 por sub-região da cidade, 18 para o município como um todo e 10 a respeito de equipamentos públicos e conveniados), retratando os desafios e as desigualdades internas da cidade, permitindo diagnosticar, planejar, monitorar e exercer o controle social. Estão disponíveis informações sobre saúde, educação, violência, juventude, meio ambiente/saneamento/moradia, emprego e renda, assistência social e mobilidade urbana. Nele é possível consultar mapas da cidade, com o retrato regionalizado da situação de cada indicador, e tabelas com os dados, bem como observar a situação de cada uma das 40 sub-regiões em que BH está dividida, em páginas específicas para cada uma delas. Nas páginas dedicadas aos indicadores, há ainda a apresentação da desigualdade intraurbana, por meio da comparação entre o melhor e o pior valor entre todas as subregiões. O sistema é de fácil consulta e permite tanto o aprofundamento técnico dos dados, como a compreensão intuitiva da situação de cada sub-região e da cidade, nos seus diversos aspectos. Com isso, torna-se possível aprimorar a discussão das políticas públicas, buscando a construção de metas de transformação real da situação de vida e da garantia de direitos da população da cidade, em lugar de simplesmente discutir construções, obras e realizações. É objetivo do Movimento Nossa BH definir, a partir deste sistema, um conjunto de compromissos para o desenvolvimento da cidade, por meio da discussão e mobilização social. O sistema completo está disponível em www.nossabh.org.br/indicadores.   Nossa BH O Movimento Nossa BH é uma iniciativa de diversos cidadãos, entidades e empresas privadas de Belo Horizonte que, articulados às redes latino-americana e  brasileira por cidades justas, democráticas e sustentáveis, tem por objetivo principal comprometer a sociedade e os sucessivos governos com uma agenda e um conjunto de metas que visem à melhoria da qualidade de vida no município hoje e no futuro. Apartidário, o MNBH baseia-se na democracia participativa, na pluralidade de ideias, em busca de uma cidade mais justa e sustentável para todos. Atualmente o Movimento conta com o apoio financeiro, técnico e humano voluntário de pessoas e organizações sociais. Apoiam atualmente o Movimento a Fundação Avina, o Instituto Ethos de Responsabilidade Social, a Oficina de Imagens, o Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (CeMAIS) e o Sistema Fecomercio Minas – SESC/SENAC e Sindicatos. Para fazer parte, entre em contato pelo email comunica@nossabh.org.br

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