Segurança no centro do debate

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Estou em Brasília participando do quinto encontro anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Este fórum é, provavelmente, a principal instância da sociedade brasileira que, há cinco anos, problematiza as principais questões relacionadas a política de segurança em nosso país. De forma inovadora, o Fórum é composto por importantes operadores da segurança (policiais) e pelos principais estudiosos do tema. Tem como missões principais a promoção do intercâmbio e da cooperação técnica para o aprimoramento da atividade policial e da gestão da segurança pública no Brasil e a manutenção de canais permanentes para o diálogo e a ação conjunta entre seus associados, filiados e parceiros. A abertura, nesta sexta (13) contou com as presenças do ministro da Justiça, da secretária nacional de segurança pública e de várias autoridades políticas, além de policiais e pesquisadores de vários estados brasileiros. A conferência de abertura foi feita pelo Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, abordando o Pacto pela Vida – um exitoso programa de segurança pública implantado e gerenciado por ele naquele estado, focado na prevenção à criminalidade, eficiência da gestão policial e participação social no subsistema de segurança pública. Mulheres no poder Também ontem, na Assembléia Geral do Fórum, foi eleita para presidir o conselho administrativo da entidade a Coronel Luciene Magalhães de Albuquerque. Ela sucede o delegado da Polícia Civil mineira, Jésus Trindade Barreto, na principal função administrativa do Fórum. Luciene é coronel reformada da Polícia Militar. Sua última função, ainda neste ano, foi a de Subchefe do Estado Maior da Polícia Militar mineira, instituição na qual ingressou em 1981, na primeira turma de policiais femininas do estado de Minas Gerais. Foi Chefe da Assessoria de Comunicação da PM durante três anos e em 2004 foi a primeira mulher a assumir o Comando de um Batalhão, formado por 800 policiais militares. Liderou a implantação do projeto Juventude e Polícia em seu batalhão, participando pessoalmente de oficinas de percussão, circo e grafite, ministradas por jovens do AfroReggae. Desde então é uma entusiasta do projeto, que se tornou um símbolo para diversas polícias do Brasil. Possui pós-graduação em Engenharia de Produção, Gestão em Segurança Pública e Comunicação Social. Reforma policialNeste sábado, uma série de cases, mesas redondas e debates mobilizaram os participantes do Fórum. As atividades do dia foram abertas com uma conferência do Professor da Universidade Nacional de Quilmes, na Argentina, Marcelo Fabián Sain. Marcelo foi interventor da Polícia de Segurança Aeroportuária da Argentina, no governo Nestor Kirchner, sendo também o responsável por uma ampla reforma nessa polícia. A palestra comprovou que, com vontade política e com bons líderes, é possível transformar as organizações policiais. Além de apoio político, o professor deixou claro que as principais diretrizes que possibilitaram a reforma foram a focalização dos trabalhos dessa polícia nos seus objetivos (exclusivamente o combate ao crime, suprimindo todos os penduricalhos que impedem as polícias de exercerem efetivamente suas funções finalísticas); a mudança na cultura organizacional, com foco na eficiência, no mérito e nos resultados; efetivos mecanismos de controle externo; seleção e formação altamente especializada e por fim, o afastamento de toda e qualquer ingerência política nos processos policiais (uma polícia da sociedade e não do governo). Portanto, bons exemplos de reformas policiais existem. Alguns bem perto de nós. É preciso que a sociedade brasileira (governos e cidadãos) avance nas discussões que objetivem não somente as mudanças incrementais, mas as transformações estruturais nas organizações policiais. Todos sairão ganhando: os operadores da segurança, os governos e, principalmente, os cidadãos.

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