Pesquisa nacional inédita mostra realidade da violência no Brasil

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A Secretaria Nacional da Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ) divulgou, nesta quinta-feira (5), o resultado da Pesquisa Nacional de Vitimização. O estudo foi realizado pelo Datafolha e acompanhado pelo Centro de Estudos da Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais.  Foram realizados mais de 82 mil questionários em todos os estados e capitais.

Os números mostram a necessidade de que nos estados sejam criados mais serviços para que a população comunique à polícia quando for vítima de um crime, evitando a subnotificação. Há uma concentração da ausência de repasse de informações às polícias, principalmente nos estados da região Norte.

Considerando o total da amostra, 32,6% dos brasileiros que vivem em cidades com mais de 15 mil habitantes dizem ter sofrido ao longo da vida algum dos 12 tipos de crimes ou ofensas contemplados na Pesquisa Nacional de Vitimização. Quando se considera a vitimização ocorrida nos 12 meses anteriores à realização da pesquisa, 21% afirmam que o fato aconteceu por pelo menos uma vez nesse período.

Os moradores de Belo Horizonte estão mais expostos à violência que a média no país e no estado. É o que revelam dados da Pesquisa Nacional de Vitimização, divulgada ontem pelo Ministério da Justiça. Segundo o levantamento, 35,9% dos belo-horizontinos já foram vítimas de crime ao menos uma vez. O percentual está acima do registrado no país (32,6%) e em Minas (31,7%). Na lista estão 12 tipos de delitos. As agressões e a discriminação, com 14,3% e 10,7%, respectivamente, se destacam entre os crimes mais relatados na pesquisa, apesar de estarem entre as práticas menos noticiadas à polícia. Levando em conta os 12 meses anteriores ao levantamento, 24,2% dos entrevistados na capital mineira disseram ter sido vítima de violência – o percentual também está acima da média estadual, de 19,1%, e da brasileira, de 21%. Foram ouvidas 78 mil pessoas no país, 7,5 mil em Minas.
A pesquisa, inédita no país, ainda não foi oficialmente comparada com estudos internacionais, mas segundo o professor Robson Sávio Reis Souza, coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, o levantamento mostra que os dados brasileiros são muito altos frente a outros países. Segundo ele, se comparado com vizinhos sul-americanos, como Argentina e Chile, o Brasil tem taxa de homicídio mais elevada, situação que se torna ainda pior quando comparada com países da Europa, por exemplo. “A percepção das pessoas sobre a violência não está deslocada da realidade das cidades brasileiras”, afirma. Belo Horizonte ficou na 13ª posição entre as capitais com maior percentual de vítimas de crimes. A campeã é Macapá (AP): 56,6% dos entrevistados disseram ter sido alvo de violência.

Segundo Cláudio Beato, pesquisador do Crisp/UFMG, foi a primeira iniciativa deste porte feita no Brasil. “Ela quantifica e caracteriza 12 tipos de ocorrências passíveis de registro policial no país, revela a taxa de subnotificação para cada uma delas e mapeia incidências e frequência com que elas acontecem em cada unidade da federação e nas respectivas capitais”, explicou.  Sobre o baixo índice de confiança na polícia, Regina Miki, secretária nacional de segurança pública, disse que há dificuldade no acesso das pessoas a delegacias em diversas cidades. Segundo ela, as polícias precisam ter independência política. “Primeiro de tudo, sobre o que pode ser feito, é a formação e a capacitação continuada, para atender no dia a dia às demandas e aos interesses da sociedade e depois fazer com que a polícia entenda que ela faz a defesa da sociedade, e não do estado. A independência política das polícias é primordial”, disse. A pesquisa apresentou a prevalência desses crimes alguma vez na vida e a sua incidência nos 12 meses anteriores à coleta de dados da pesquisa, caracterizando a experiência da vitimização sofrida nesse período. A amostra é representativa do universo da população adulta – com idade igual ou superior a 16 anos – dos municípios com mais de 15 mil habitantes.  Foram aproximadamente 78 mil entrevistados em 346 municípios no período de junho de 2010 a maio de 2011 e junho de 2012 a outubro de 2012. Os crimes e ofensas contempladas no estudo correspondem a furto e roubo de automóveis, furto e roubo de motocicletas, furto e roubo de objetos ou bens, sequestro, fraudes, acidentes de trânsito, agressões, ofensas sexuais e discriminação.  Veja aqui apresentação da Pesquisa Nacional de Vitimização Acesse a pesquisa completa 

  Fonte: com informações da SENASP e do Portal UAI

 

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