ONU Brasil: Informe sobre criminalização do uso de drogas e condições de encarceramento e violência policial contra adolescentes no Brasil

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Na sessão do Conselho de Direitos Humanos, vice-comissária da ONU para o tema destacou inúmeras violações de direitos humanos geradas pela política proibitiva de drogas.

Campo de papoulas, usada para a produção de ópio. Foto: UNODCCampo de papoulas, usada para a produção de ópio. Foto: UNODC

As políticas de enfrentamento das drogas ilícitas muitas vezes violam direitos fundamentais: o acesso à saúde, o direito à justiça criminal, à igualdade, excluindo indígenas e minorias, e o direito das crianças. A exposição foi feita pela vice-comissária para os Direitos Humanos da ONU, Flavia Pansieri, durante a apresentação da relação entre política de drogas e direitos humanos nesta segunda-feira (28) no Conselho de Direitos Humanos em Genebra.A representante do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) elogiou o maior espaço atribuído aos direitos humanos nas discussões para preparação da sessão especial da Assembleia Geral, que vai ter foco na questão das drogas em abril de 2016.O relatório incentiva abordagens pacíficas em caso de lidar com dependentes químicos e estimula a descriminalização do uso de drogas, “porque a criminalização da posse de drogas tem sido obstáculo para o direito à saúde”, afirmou Pansieri. Ela destacou que 33 países ou territórios aplicam pena de morte para crimes relacionados às drogas ilícitas, gerando cerca de 1.000 mortes.Pansieri destacou ainda questões relacionadas a práticas ancestrais culturais e religiosas de grupos indígenas, enfatizando que, em princípio, não deveria haver punições para o uso de substâncias consideradas ilegais nestes casos.E mais:Comitê da ONU critica condições de encarceramento e violência policial contra adolescentes no Brasil

O Comitê sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas avaliou, nesta terça-feira (22), em Genebra (Suíça), o relatório do governo brasileiro sobre as condições de vida e os direitos dos jovens no país. Apesar dos avanços identificados, o órgão da ONU – que reúne 18 especialistas – criticou as circunstâncias de encarceramento de menores em conflito com a lei, assim como os elevados índices de violência policial contra as crianças.A delegação do Brasil rebateu questionamentos afirmando que o governo mantem instituições adequadas à idade dos menores infratores e que o trabalho da justiça juvenil era satisfatório. Apesar das garantias na lei, os representantes reconheceram a falta de recursos para o treinamento especializado dos agentes que trabalham nesses locais.O Comitê questionou os relatores sobre as ações concretas que estariam sendo tomadas para garantir o cumprimento do Código Penal e evitar a morte e o sofrimento de crianças devido ao uso da força por agentes do Estado.Os representantes responderam admitindo que a categorias penais, como o “auto de resistência”, contribuíam para encobrir homicídios cometidos pelas forças policiais, uma vez que as investigações eram realizadas com base apenas nas informações fornecidas pelos agentes da lei. Segundo os especialistas, “o fim do “auto de resistência” representaria um grande passo rumo à proteção dos direitos das crianças e adolescentes”.Conflitos armadosO órgão das Nações Unidas monitora os Estados que ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) para verificar se cumprem com suas obrigações. O Comitê também analisa como os Estados estão implementando dois Protocolos Facultativos da Convenção – um relativo à venda de crianças, prostituição infantil e pornografia infantil (OPSC) e um sobre o envolvimento de crianças em conflitos armados (OPAC). Neste contexto, os especialistas expressaram preocupação quanto à falta de uma definição, na Constituição brasileira, sobre o envolvimento de crianças em conflitos armados. “No momento, o Brasil não tem um problema de envolvimento de crianças nesses conflitos”, respondeu a delegação.Apesar das críticas, o Comitê elogiou os avanços sociais dos últimos anos. Desde 2003, 36 milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza. As crianças estiveram no centro dos programas sociais responsáveis por essa mudança, como o Bolsa Família. Em 2012, o projeto Brasil Carinhoso beneficiou dois milhões de famílias com crianças abaixo dos seis anos de idade, retirando 8,1 milhões da extrema pobreza.Entre 1990 e 2012, a taxa de mortalidade neonatal caiu de 47,8 para 13,5 mortes por cada mil recém-nascidos, valor considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De 2000 a 2010, houve um aumento da parcela do Produto Interno Bruto (PIB) investido na educação: de 3,5% para 5,6%.Os documentos completos entregues para esta avaliação, incluindo a contribuição do Brasil e da sociedade civil,encontram-se aqui.O comunicado de imprensa na íntegra está disponível aqui.

Fonte: ONU BRASIL

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