Novas mídias, novas possibilidades

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Conhecer a história da imprensa, os mecanismos, as relações e os jogos de interesses que permeiam a indústria da comunicação são ações fundamentais para o desenvolvimento de um senso crítico diante da mídia. É preciso conhecer os interesses daqueles que detém os veículos de comunicação. O que é veiculado, seja pela imprensa oficial, seja por outros meios de comunicação, está sempre envolto pelos interesses dos produtores da informação, dos agentes políticos e econômicos (veja na imagem abaixo, por exemplo, as oligarquias que dominam as emissoras de TV, no Brasil). Fonte: artigo “Existe concentração na mídia brasileira? sim”, de Venício Lima, 2003No inicio deste ano, a organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras denunciou a situação de concentração de poder midiático existente no Brasil. Definindo o quadro brasileiro como o “país dos 30 Berlusconi”, a ONG alerta para o perigo que sofre a independência da informação, através do poder concentrado dos grandes grupos de mídia no Brasil. Segundo a ONG, um dos problemas endêmicos do setor da informação no Brasil é a figura do magnata da imprensa, que “está na origem da grande dependência da mídia em relação aos centros [principalmente estrangeiros] de poder”. “Dez principais grupos econômicos, de origem familiar, continuam repartindo o mercado da comunicação de massas”, lamenta a RSF. Ora, para contrapor um discurso quase hegemônico produzido pela grande mídia, principalmente através das grandes agências de notícias – que dita normas de comportamento e modos de vida – é preciso criar espaços novos, dialógicos, de contrainformação e que possibilitem novas interações entre os cidadãos. A internet vem se constituindo, assim, como um espaço mais democrático, horizontal e plural, capaz de suportar a diversidade criadora dos cidadãos e cidadãs e, mais que isso, vocalizar as preferências e as múltiplas vozes que são ocultadas pela grande mídia. Os blogs e as redes sociais podem se constituir, progressivamente, numa poderosa ferramenta capaz de levar informações diferenciadas daquelas produzidas pelos veículos tradicionais de comunicação. Ademais, podem problematizar, questionar e aprofundar as notícias veiculadas pelos grandes meios; mostrar quais os interesses ocultos na divulgação das informações e criar condições para que a grande mídia se reposicione em termos de única fonte capaz de determinar verdades uníssonas. Para reforçar e ampliar as formas de embate à informação hegemônica seria desejável que os novos comunicadores virtuais se associassem em grandes redes comunicacionais, utilizando também as redes sociais como suporte à criação de diversos canais que democratizassem a produção e distribuição da informação. É claro que os canais de suporte das redes sociais e da internet estão nas mãos das grandes empresas de telecomunicação. Porém, parece pouco provável que se estabeleça uma censura às várias formas de expressão no universo digital. Então, há que se constituir uma cidadania ativa, responsável pela produção e distribuição da contrainformação, saindo do comodismo paralisante que nos isola e enfraquece. É preciso sair do lugar de meros receptores da comunicação produzida pela grande mídia para um novo lócus – o de comunicadores ativos, responsáveis, capazes de produzir outras formas de interpretar o mundo, a vida e as relações sociais. Leitura crítica para diferenciar opinião pública de opinião publicada.

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