Mortes no trânsito: aumenta a carnificina

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Em 11 de setembro do ano passado, neste blog, escrevi o seguinte texto: “o trânsito brasileiro, em breve, se tornará o campeão no número de mortes, superando os homicídios. Infelizmente, o carro transformou-se numa arma altamente letal. São 40 mil óbitos anuais, em sua maioria provocada pela imprudência e pela associação fatal entre bebida, drogas e volante”.

O mapa da violência no Brasil divulgado em fevereiro deste ano pelo Ministério da Justiça confirmava a expectativa: segundo o documento, houve um aumento de 32,4% nas mortes de jovens em decorrência de acidentes de transporte no período de 1998 a 2008, enquanto no total da população o índice de aumento foi de 26,5%.

Pois bem. Segundo o Ministério da Saúde, os acidentes de trânsito deixaram 40.610 mortos no país em 2010, média de 111 por dia e uma alta de 8% sobre o ano anterior. Em 2009, 37.594 brasileiros foram vítimas fatais. Em 2010, morreram 10.134 motociclistas, 9.078 pedestres, 8.659 vítimas dentro dos veículos, 1.453 ciclistas e 738 pessoas em veículos de transporte pesado.

(Fonte: Folhapress)

Comparativamente, o trânsito brasileiro mata 2,5 vezes mais do que nos Estados Unidos e 3,7 vezes mais do que na União Européia. Em 2008, enquanto os Estados Unidos obtiveram uma taxa de 12,5 mortes no trânsito a cada 100.000 habitantes, o Brasil obteve uma taxa de 30,1, sendo que a frota de carros norte americana é o triplo da brasileira.

No Brasil, foram realizadas em 2010 146.060 internações de vítimas dos acidentes no trânsito financiadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com um custo de aproximadamente R$ 187 milhões. Os homens representaram 78,3% das vítimas (114.285), enquanto as mulheres, 21,7%. Do total de vítimas, 69.606 estavam em motocicletas e provocaram um impacto de R$ 85,6 milhões no SUS.

A frota de veículos no Brasil pulou de 45,4 milhões em dezembro de 2006 para 64,8 milhões, em dezembro de 2010; um aumento de quase 50% em quatro anos.

Gláucio Soares, pesquisador renomado na área da segurança pública, escreve sobre o tema: “Como se sabe, acidentes são evitáveis. Políticas públicas adequadas e preparação da cultura cívica podem significar milhares e milhares de vidas salvas. A máxima, que se aplica ao crime, também se aplica aos “acidentes”: Bons governos salvam vidas!”

É claro que a Lei Seca é importante e quando há fiscalização adequada o número de mortes e acidentes diminui. Mas é pouco. É preciso uma legislação mais severa para punir os crimes de trânsito. E principalmente: uma Justiça eficiente e célere para enquadrar rapidamente o motorista assassino.

Com essa medida e outras (mais educação para o trânsito, melhoria nas condições das estradas, mudança na lógica do trânsito – que privilegia o automóvel em detrimento da pessoa), poderemos, em médio prazo, reduzir essa máquina da morte, que ceifa milhares de vidas no Brasil, matando mais que muitas guerras, todos os anos.

 (*) Os dados de 2010 são preliminares.

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