INDÚSTRIA DO MEDO

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Virou manchete a escolha dos moradores de Belo Horizonte no Orçamento Digital deste ano. Em três das nove regionais da prefeitura os moradores optaram pelos sistemas de videomonitoramento eletrônico. Justificativa: melhoria da segurança pública, nesses locais.Veja aqui o resultado final: http://opdigital2011.pbh.gov.br/ É muito estranho o fato de que a depreciação da segurança pública nos últimos anos, no Brasil, tem aumentado os lucros de uma indústria em franca expansão: a indústria da insegurança, ou do medo. Infelizmente, a maioria dos cidadãos pensa que equipamentos de segurança, por si só, são capazes de resolver todos os problemas da insegurança. Ledo engano! De nada adiantam bons e modernos equipamentos se não tivermos operadores eficientes para operá-los e monitorá-los, respostas rápidas por parte do aparelho estatal, policiais disponíveis em caso de detecção de ilícitos, etc. Ou seja, equipamentos de segurança podem ter alguma eficiência quando eficiente é o sistema público de segurança.  Vamos a um exemplo corriqueiro: o cidadão instala o mais moderno circuito de TV em sua residência. No caso de um furto, dirige-se a uma delegacia ou batalhão policial e recebe a seguinte resposta: infelizmente, não temos pessoal disponível para investigar ou atuar nessa ocorrência.  Nesse modesto exemplo verificamos: Primeiro – sem operadores eficientes, os equipamentos tornam-se obsoletos. Segundo – sem policiais disponíveis para atender ocorrências registradas, os equipamentos não têm efetividade preventiva e nem punitiva. Terceiro – não havendo respostas rápidas, em caso de práticas de crimes, os equipamentos perdem credibilidade. Conclusão – segurança pública não se limita a equipamentos modernos, ações individuais, ou respostas privadas. O cidadão pode cooperar, desde que o sistema público funcione. Pesquisas feitas em várias partes do mundo atestam: mais eficientes que medidas privadas ou alta tecnologia é a participação social no enfrentamento da violência urbana. Conhecer os vizinhos, utilizar os espaços públicos, sempre acionar a polícia quando se observa qualquer ilícito. São excelentes práticas para que infratores se inibam nas práticas ilícitas. A coesão social e a participação comunitária são instrumentos muito efetivos no enfrentamento à violência. Cabem, aqui, algumas indagações: ► Será que existe uma relação entre a deterioração da segurança pública e o vertiginoso crescimento da segurança privada? ► Quem são os que ganham e os que perdem com essa situação?  ► Será que soluções pontuais e privadas resolvem os problemas?  ► Equipamentos eletrônicos, apesar de necessários, são suficientes para se inibir a violência urbana?

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