Crack: “”a pedra da morte””

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Pesquisa recém divulgada pelo Centro de Pesquisas em Segurança Pública (Cepesp) da PUC Minas aponta que o crescimento das ocorrências de homicídios em Belo Horizonte e Região Metropolitana, a partir de 1997, entre jovens de 15 e 24 anos, está diretamente relacionada ao aumento dos conflitos relacionados ao tráfico de drogas, em especial do crack. “No caso dos usuários dessa droga, há um perfil relativo e diversificado, inclusive de pessoas de nível socioeconômico elevado”. Algumas outras pesquisas corroboram com os dados do Cegesp, mostrando a relação estreita do crack com o aumento dos homicídios juvenis. O Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG, Crisp, também mostrou essa relação. Justamente no momento no qual há uma escalada da criminalidade violenta em Belo Horizonte, a partir de 1997, detectou-se o incremento do tráfico de drogas em várias regiões da cidade e, posteriormente, a disseminação do crack nessas localidades. Como se sabe, o crack é derivado da cocaína. E em 17 de junho passado, a ONU (Organização das Nações Unidas) já apontava o Brasil como “principal corredor da cocaína no mundo”.  No relatório, baseado em dados das apreensões de 2008, o órgão identificou uma rota que vem dos países andinos – Colômbia, Peru e Bolívia – e cujo destino final é a Europa, passando antes por países africanos. Segundo a ONU, pela América do Sul passaram, em 2008, 212 toneladas de cocaína, sendo que 124 toneladas tinham com destino a Europa. O volume representa R$ 60,7 bilhões (U$ 34 bilhões).  O relatório aponta ainda que os traficantes brasileiros tomaram conta do aumento de produção na Bolívia e no Peru – tradicionais cultivadores da planta de coca que, até então, não tinham grande conhecimento do refino do entorpecente. O crescimento na produção pode ser um reflexo da queda na Colômbia, maior fornecedor de cocaína do mundo. Uma das consequências de ser um corredor de drogas é que o país se torna, também, um grande consumidor. Nosso país tem o maior número de usuários de cocaína na América do Sul, com aproximadamente um milhão de consumidores – a ONU considera consumidor aquele que faz uso da droga ao menos uma vez no ano. Como enfrentar essa epidemia?1. Políticas de repressão, principalmente voltadas para o combate ao tráfico internacional de drogas (atenção especial às fronteiras e à corrupção de agente público) e às redes de tráfico local, com a criação de agências especializadas e cooperação das agências já existentes.2. Articulação com a saúde pública, visando o tratamentos para os dependentes; utilizando-se de várias metodologias, inclusive a “redução de danos”, para casos mais graves.3.Políticas voltadas para apoio e proteção familiar, focalizadas em estratos sociais mais vulneráveis.

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