COPA DE 2014: Nem começou e já temos histórias para contar…

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(Fonte: http://blogs.jovempan.uol.com.br/pedaladas/futebol/quer-ganhar-dinheiro-com-copa-2014/)Várias intervenções urbanas estão sendo feitas nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Oficialmente, as obras de infra-estrutura melhorarão a acessibilidade aos locais dos eventos, principalmente para os estádios É importante lembrarmos que as intervenções urbanas são respaldadas em discurso quase unânime segundo o qual é preciso executar tais obras, a qualquer custo, caso contrário inviabiliza-se a realização do evento. Mas as obras atendem a uma série de interesses imobiliários, de construtoras, etc. Em janeiro deste ano, o ministro do Esporte, Orlando Silva, informou que o governo federal  investiria R$ 23,3 bilhões na Copa do Brasil. Mas já podemos afirmar, com certeza, que esse valor será facilmente superado. Três breves exemplos: a reforma do Mineirão, originalmente orçada em R$ 426,1 milhões subiu para R$ 743,4 milhões, já na licitação vencida pelo consórcio formado por três empreiteiras; ou seja, mais de R$ 300 milhões acima do previsto e isto por enquanto, diga-se de passagem. Já o estádio da Fonte Nova, em Salvador, deveria consumir R$ 591,7 milhões se fosse respeitada a primeira “matriz de responsabilidades” – documento que lista previsões de gastos e cronogramas de obras. Porém, as construtoras vão receber R$ 1,6 bilhão, ou seja, o triplo do valor combinado. Por fim, o preço da linha 1 do Veículo Leve sobre Trilhos em Brasília quadruplicou: orçado em R$ 364 milhões, saltou para R$ 1,5 bilhão. Além da gastança, outros problemas têm chamado a atenção em relação às obras da Copa. Recentemente, a relatora especial da Organização das Nações Unidas pelo Direito à Moradia Adequada, Raquel Rolnik, afirmou ter recebido várias denúncias de despejos, remoções e desalojamentos de moradores com violações dos direitos humanos das áreas das obras para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Segundo ela, “essas remoções não têm acontecido de acordo com os padrões internacionais, estabelecidos pela ONU, para casos desse tipo. Remoções podem acontecer, entretanto, elas devem respeitar uma série de condições para que elas possam ser feitas, respeitando os direitos humanos das pessoas envolvidas. Isso não tem acontecido em grande parte dos casos”. A declaração foi feita num comunicado divulgado em Genebra, sede do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Segundo o comunicado, as denúncias incluem as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza. Outro lado – O ministro do Esporte, Orlando Silva negou que exista essa situação, afirmando que “queremos deixar como legado um sistema mais eficiente de transporte coletivo, aeroportos eficientes. Tudo isso com a preocupação de estimular o desenvolvimento social. De vez em quando algumas instituições dizem que o Brasil vai fazer assepsia social ou desalojar pessoas em situação de rua. Não tem nada disso. Nós queremos mostrar o verdadeiro Brasil, um país que cresce, mas que tem contradições”. Em Belo Horizonte, o presidente do Comitê Executivo Organizador da Copa do Mundo, Tiago Lacerda, filho do prefeito da Capital, rebateu a relatora especial da ONU afirmando que Belo Horizonte não levará em consideração a informação da relatora. “Não tem nada. Ela solicitou paralisação de remoção. Nada disso vai ser feito aqui. O que ela falou para a gente, não vamos nem considerar”, ressaltou. Mas a relatora revelou em sua análise que já foram feitos vários despejos de inquilinos sem que se tenha dado às famílias tempo para propor e discutir alternativas. Segundo informações do site da ONU, Raquel afirmou que enviou uma carta ao governo brasileiro, em dezembro, mas que ainda não recebeu resposta. Para Rolnik, a divulgação do comunicado deverá abrir um debate sobre as alegações. E você, o que acha das obras de intervenção que estão sendo realizadas nas cidades-sede da Copa do Mundo?

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