A vida na cidade

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O que é mais importante numa cidade? O mobiliário urbano? Os sistemas de transporte, com largas avenidas permitindo o fluxo constante dos automóveis? A gestão pública eficiente, que se pauta  pela equação cujo resultado é medido pelas variáveis custo e benefício? Certamente, tudo isso pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida urbana. Mas, certamente, o mais importante na cidade é a convivência entre as pessoas, a civilidade, a preservação e vivência no espaço público; enfim, todo o conjunto das relações humanas que se realizam nos espaços urbanos; espaços de interação e não de exclusão. Por que as cidades pequenas são menos violentas, por exemplo? Porque há uma relação de solidariedade entre as pessoas. Todos cuidam do patrimônio e, principalmente, da vida dos vizinhos, amigos e conhecidos. Nesses locais, os infratores não encontram espaço para atuarem. Diferentemente, nas grandes cidades o ladrão anda de elevador no prédio e os vizinhos não sabem da presença do infrator, porque não se conhecem. Menos coesão social; mais violência. Mais individualismo; mais exposição ao risco. Ora, garantir a dignidade humana, o respeito e proteção aos direitos individuais e coletivos, a presença e a manifestação das diferentes culturas, os vários modos e estilos de vida é o grande desafio para os gestores e todos aqueles que estudam, planejam, administram e vivem nas cidades. As cidades, aos poucos, vão criando guetos que segregam parte dos cidadãos: condomínios fechados, por exemplo, que isolam uma parte das pessoas e favelas, que excluem outros tantos. Será que as relações sociais comportam (ou melhor, suportam) o abismo entre estes “dois mundos” num mesmo espaço, a cidade? Esse colossal fosso tem sustentação numa sociedade que se diz “de iguais”? Em muitas cidades, o interesse privado parece sobrepor-se aos interesses públicos e os direitos individuais sobre os coletivos. Como possibilitar novos modos, espaços e condições de vida que favoreçam as relações sociais? Qual o papel de cada um de nós, cidadãos que vivem nas cidades, nesta história? As políticas públicas deveriam atuar numa lógica diferente dessa tendência segregadora das cidades, garantindo a inclusão de todos os indivíduos no espaço urbano, com dignidade, respeito à alteridade e às diferentes formas de vida na cidade. Isto significa uma convivência saudável, por exemplo, com os moradores de rua – tao discriminados! Neste sentido, uma ação fundamental para a construção de espaços urbanos mais humanizados se dá através da educação em direitos humanos.

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