A prisão de Nem e a velha história do bode expiatório

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            O governo do Rio e boa parte da mídia tentam “vender” uma história fantasiosa sobre a prisão de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, 34 anos, comandante do tráfico de drogas da favela da Rocinha.

           Para que a prisão do traficante não atrapalhe a pirotecnia da ocupação da Rocinha seria necessário, mais uma vez, recorrer a VELHA HISTÓRIA DO BODE EXPIATÓRIO. Mostrar o traficante como a encarnação do mal num momento em que a polícia carioca, mais uma vez, era colocada em xeque.             Então, como sempre, aparece a velha luta do “bem” contra o “mal”. Agora, o difícil nessa novela da vida real é separar o bem do mal. Até porque, bem e mal fazem parte da realidade humana e o maniqueísmo só serve para disfarçar os verdadeiros problemas da “vida como ela é”.             O grande escândalo confessado pelo do traficante de que seu reinado  erigiu-se, em boa medida, lastreado na corrupção policial, precisava ser minimizado.  

            Calcula-se que sua quadrilha de Nem faturava de 60 a 100 milhões de reais por ano com a venda de armas e drogas, exploração de cooperativas de vans e mototáxis e a extorsão de comerciantes do morro. E o mais estarrecedor: metade dessa fortuna, declarou o traficante na delegacia, ia para o pagamento de policiais corruptos, fiadores da liberdade do traficante.             Além de garantirem a segurança pessoal de Nem, policiais davam a ele e  seu bando treinamento militar, igual ao que receberam na Academia e eram informantes sobre as operações montadas pela polícia na tentativa de combater o tráfico na Rocinha. Relatórios da Polícia Civil do Rio dão conta de que em pelo menos vinte operações policiais armadas para prenderem o traficante houve vazamento de informações.             Desde 2007, mais de uma dezena de policiais foram presos por envolvimento com a quadrilha de Nem, sendo que alguns deles eram justamente da Delegacia de Combate às Drogas e recebiam “mesadas” de 15 mil reais para fazerem vista grossa ao tráfico de drogas na Rocinha.             Na semana passada, a Polícia Federal flagrou o inspetor que liderava as investigações sobre a quadrilha de Nem auxiliando o traficante em mais uma tentativa de fuga. O policial foi preso e há uma lista de mais de vinte outros policiais, incluindo agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope).             Nos últimos seis anos, enquanto a polícia protegia o traficante todo o esquema na Rocinha funcionava bem… obrigado! A situação começou a mudar a mudar muito recentemente com a prisão de alguns desses policiais corruptos.             Simultaneamente a esses acontecimentos, estava planejada a ocupação da Rocinha. O imprevisto foi a prisão de Nem que, mais uma vez, tentou subornar policiais, não logrando êxito na empreitada dessa semana.

            Mas, surpreendentemente, o traficante escancarou para a polícia o que todos sabiam: seu reinado nos últimos seis anos só foi possível pela conivência de policiais corruptos.         No Rio não tem jeito: enquanto o governo não enfrentar a corrupção policial, a batalha das ocupações ditas “pacificadoras” serão vitórias de Pirro… (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/uma_vitoria_de_pirro)

            Aliás, está passando da hora de uma REFORMA para além dos REMENDOS na segurança pública em TODO O BRASIL. Sobre esse tema temos vários posts publicados neste blog.

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