A CRISE D’ÁGUA, A MENTIRA E A INOPERÂNCIA DOS GOVERNOS E NOSSA CORRESPONSABILIDADE

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Em São Paulo, não obstante a beira do precipício, o governo tucano continua afirmando que o desabastecimento não existe. Todos sabem que daqui há mais ou menos 4 meses, a continuar como está, a (represa da ) Cantareira estará seca. Aqui em Minas, com medo dos resultados das urnas (que vieram independentemente das tramoias), os tucanos (através da blindagem midiática da nossa imprensa serviçal) omitiram a gravidade da situação de desabastecimento no estado e principalmente na RMBH, esclarecida hoje pela (nova) presidenta da Copasa. No Rio, o governo peemedebista omite o fato de o (Rio) Paraíba do Sul, que abastece quase todo o estado, estar próximo ao colapso. No cenário nacional, o governo petista, mesmo sabendo do risco de um apagão (dado a situação dos reservatórios das hidroelétricas) continua dizendo que não há problemas… Ou nossos governantes vivem num mundo de “faz-de-conta” ou são demagogos… (Talvez, as duas coisas e outras mais…).
Se tivéssemos governos responsáveis, menos pragmáticos e mais republicanos, seria a hora de a presidenta da República ladeada pelos governadores de São Paulo, Rio e Minas e os prefeitos das respectivas capitais, fazerem um pronunciamento público à Nação admitindo a situação periclitante de nossas hidroelétricas e represas de armazenamento de água e clamando à população para que cumpram o seu dever cívico de economizar água e energia elétrica (que acostumamos, covardemente, a desperdiçar impunemente).
Penso que a combinação de dois fatores foram cruciais para essa situação que beira o caos:
1. Óbvio, os eventos climáticos, em boa medida ocasionados pelo modelo de desenvolvimento que violenta a natureza impiedosamente;
2. E outro, não analisado pelos comentaristas de plantão: nas últimas duas décadas os consumidores vorazes da classe média brasileira saltaram de 30% da população para cerca de 70% da população. Isso significa, objetivamente, uma extraordinária demanda de consumo (de bens e serviços – produzidos com o gasto de enormes recursos hídricos -, energia – produzida pelas hidroelétricas -, e água abundante a jorrar nas torneiras, etc.) num curtíssimo período de tempo. Agora, só falta algum coxinha preconceituoso culpar os pobres por terem ascendido à classe média consumidora… 
O fato é que esse modelo de desenvolvimento que PRIVILEGIA o bem-estar INDIVIDUAL (motor do modelo capitalista) em detrimento dos recursos ambientais (coletivos e comunitários) mostra a perversidade desse processo violentador da natureza.
Em relação à incúria dos governos, sem comentários.
Porém, TODOS nós devemos assumir a corresponsabilidade nesse processo de escassez dos recursos hídricos. Ou ficaremos a apontar os dedos à caça de bodes expiatórios, assistindo o caos que se aproxima e que, fatalmente, atingirá de maneira desigual (é verdade), mas isonômica, a todos (nós)?

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