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Rosa Maria Miguel Fontes Jornalista e escritora. Contato rosamaria.fontes@hotmail.com

“Se eu abrir esta porta agora…”

Na hora de dormir, um quarto escuro pode guardar algumas surpresas… Você tem certeza de que a porta do guarda-roupa está fechada? Tem certeza de que não há nada dentro, ou melhor, morando no guarda-roupa? Um monstro talvez?

O infantil “Se eu abrir esta porta agora”… faz o leitor assumir o protagonismo da história ao se colocar no lugar do personagem, abrindo sucessivas vezes a porta do guarda-roupa em um quarto escuro, sendo a cada momento conduzido a uma surpresa diferente.

O autor Alexandre Rampazzo, que também assina o projeto editorial, usa o formato do próprio livro para transformá-lo em um elemento da narrativa, permitindo que imaginação e realidade se misturem em uma história que conduz o olhar da criança para uma experiência única.

Cada página é como se fosse uma porta… A sequência é o leitor que escolhe… O suspense depende de como a leitura vai acontecer…

Afinal, você tem certeza de que não há nada lá dentro, ou melhor, alguém mesmo invisível morando no armário? São muitos os pontos de vista… E parece que a história nunca vai acabar. O livro tem mais essa surpresa: depois que a leitura termina de um lado, ela recomeça do outro.

“Se eu abrir a porta agora”… é um lançamento da Editora Sesi-SP, tem 56 incríveis páginas sanfonadas e custa R$ 44,00.

O livro figurou na entre 30 melhores livros infantis do ano 2019 da Revista Crescer numa seleção avaliada por um júri popular e outros 42 jurados, que reúne os títulos que mais se destacaram em 2018. A revista Crescer também concedeu ao autor e ilustrador Alexandre Rampazzo o Troféu Monteiro Lobato de Literatura Infantil 2019.

Em seguida, a obra foi uma das vencedoras do Prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) de 2019, que também contemplou as melhores obras produzidas no ano passado, em diversas categorias e “Se eu abrir essa porta agora”… venceu nas categorias Criança e Projeto Editorial.

Convidei Elizabeth Serra, Secretária Geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, para falar sobre a importância do prêmio outorgado ao livro pela instituição e, em seguida, publico na íntegra a entrevista que concedeu ao blog. Elizabeth Serra explica os critérios de qualidade que estão no Regulamento do Prêmio FNLIJ e a trajetória desse importante prêmio para a Literatura Infantil e Juvenil.

A entrevista

Elizabeth Serra: “Os livros premiados, como qualquer outro livro premiado ou não, devem estar presentes no cotidiano familiar e principalmente no escolar de todas as crianças e jovens” – Foto: Divulgação

Rosa Maria: Como é o trabalho referente à seleção de livros que chegam ao mercado e se tornam recomendados pela Fundação?

Elizabeth Serra: Para iniciar gostaria de citar que a FNLIJ é a seção brasileira do International Board on Books for Young People / IBBY, instituição internacional criada em 1952, na Alemanha, presente hoje em mais de 70 países, cuja missão é a de promover a leitura de livros de qualidade para crianças e jovens, como direito.

O IBBY se mantém com a contribuição anual de suas seções nacionais e conta com o trabalho voluntário de especialistas para atuar no seu Comitê Executivo, bem como para compor o corpo de jurados de seus prêmios. O principal prêmio da instituição é o Hans Christian Andersen(HCA), que a cada dois anos elege um escritor e um ilustrador pelo conjunto da obra  dos candidatos indicados pelas seções nacionais. Como seção do IBBY, a FNLIJ é quem apresenta as candidaturas brasileiras para escritor e ilustrador com base nas suas premiações. As escritoras Lygia Bojunga e Ana Maria Machado, candidatas da FNLIJ, receberam o Prêmio HCA /IBBY em 1982 e 2000, respectivamente. Em 2014, o ilustrador Roger Mello, candidato da FNLIJ, recebeu o HCA/IBBY de ilustrador confirmando a qualidade de nossos artistas, também como ilustradores.

Assim é que, desde 1975, realizando no Brasil a missão do IBBY de premiar os melhores livros, a FNLIJ deu início às suas premiações que, por sua vez, subsidiam a indicação brasileira ao Prêmio HCA/IBBY e para outros prêmios internacionais.

O processo de Seleção da FNLIJ dura 10 meses e dele participam em torno de 20 leitores-votantes, especialistas em LIJ, selecionados pela FNLIJ, de diferentes cidades do país. O trabalho é de caráter voluntário, portanto sem remuneração.

Assim como no Prêmio HCA/IBBY, o Prêmio FNLIJ se expressa por um certificado e um selo, não havendo prêmio em dinheiro para os ganhadores.

RM: Com qual periodicidade a Fundação faz essa avaliação?

ES: A avaliação é anual e se refere aos livros, em primeira edição, publicados no ano de análise, de janeiro a 31 de dezembro.

 

RM: Como é a participação das editoras ou autores?

ES: A Seleção Anual da FNLIJ se inicia em agosto, quando divulgamos no nosso site o Regulamento do Prêmio para todas as editoras. Não é necessário fazer inscrição nem pagar taxa. Para participar o editor deve enviar cinco exemplares, de cada título, para a FNLIJ e um exemplar para a casa de cada votante.

 

RM: Quais são as categorias dos Selos de Recomendação? Descreva cada uma delas.

ES: A Seleção Anual da FNLIJ percorre diferentes etapas internas, que acompanham a chegada dos livros na FNLIJ e na casa dos votantes, até chegar ao Prêmio FNLIJ, cujo anúncio se dá pelo site da FNLIJ e Facebook. São 18 as categorias do Prêmio FNLIJ: Criança, Jovem, Imagem, Informativo, Poesia, Teórico Leitura e LIJ, Reconto, Literatura em Língua Portuguesa( Portugal), Tradução/ Adaptação Criança, Informativo, Reconto e Jovem, Teatro, Livro- Brinquedo, Escritor Revelação, Ilustrador Revelação, Melhor Ilustração e Melhor Projeto Editorial. Pode ocorrer que alguma categoria não seja contemplada com o Prêmio, como ocorreu este ano nas categorias Tradução/ Adaptação Reconto, Teatro e Livro-Brinquedo.

 

RM: Como eles são identificados nas obras?

ES: A FNLIJ disponibiliza para as editoras que solicitam o selo para o Prêmio FNLIJ, assim como para os que foram considerados Altamente Recomendáveis, etapa anterior a do Prêmio.

 

RM: A partir da premiação da obra com o selo, o que muda na trajetória dela?

ES: Além de servir de guia para famílias e professores selecionarem títulos para filhos e alunos, os selos da FNLIJ são utilizados pelos governos e instituições como indicações de qualidade para a compra de acervos. Nas universidades, são usados como referência para estudos e pesquisas do setor.

 

RM: Há quanto tempo, a Fundação oferece esse serviço ao leitor?

ES: A FNLIJ foi criada em 1968 e iniciou o processo de seleção anual em 1975 completando este ano 44 anos.

RM: No caso de “Se eu abrir esta porta agora…”, de Alexandre Rampazzo, Editora Sesi-SP, qual o selo esse livro mereceu? Por quê?

ES: O livro “Se eu abrir esta porta agora…”, de Alexandre Rampazzo, Editora Sesi-SP, recebeu o Prêmio FNLIJ nas categorias Criança e Melhor Projeto Editorial. Assim como todos os títulos que receberam o Prêmio FNLIJ, o livro contempla os critérios de qualidade que estão no Regulamento do Prêmio FNLIJ.

As justificativas para cada título que recebe o Prêmio FNLIJ são apresentadas em uma brochura, distribuída na cerimônia de entrega dos certificados aos vencedores e que depois é disponibilizada no nosso site. As justificativas dos prêmios do livro de Alexandre, assim como dos outros premiados, poderá ser conhecida tão logo a publicação estiver disponível. A divulgação das justificativas subsidia as escolhas de professores e pais.

 

RM: Em sua opinião, como esse livro deve ser tratado perante as crianças?

ES: Os livros premiados, como qualquer outro livro premiado ou não, devem estar presentes no cotidiano familiar e principalmente no escolar de todas as crianças e jovens por meio de leituras partilhadas por pais, avós, tios e irmãos e na escola, por professores. O que faz a diferença é que o adulto aprecie e seja leitor de literatura. Como tal, ele saberá a melhor forma de apresentar, comentar e ler o livro ressaltando as suas qualidades.

 

RM: Qual é o valor de um livro que contém mais imagem do que texto para a formação infantil? 

ES: As ilustrações devem estar no livro como expressões de arte dialogando com o texto escrito na forma de imagens, de forma original, sem estereótipos, enriquecendo a experiência da leitura.  Assim como o texto de qualidade, a ilustração deve surpreender o leitor provocando a sua curiosidade e a imaginação.  No Brasil, onde o acesso à arte é difícil e raro para a maioria das crianças e jovens, a ilustração de qualidade nos livros contribui para uma educação estética do olhar e do pensamento.

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