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Wilson Renato Pereira é jornalista especializado em cultura cervejeira, autor da Coluna "Cerveja&Cia" na revista Mercado Comum, palestrante.

O mestre dos cervejeiros


O que cervejarias de sucesso como a Küd, Verace, Falke, Läut, Uaimii, Fürst, entre várias outras, consagradas no mercado nacional, têm em comum, desde a sua fundação? A resposta está em nome muito respeitado por todos os brewmasters e beersommeliers, em qualquer canto do Brasil: Evandro Jacir Zanini.

Parte das boas cervejas especiais fabricadas aqui existem graças a esse catarinense de 44 anos, filho de agricultores, nascido em Iomerê, cidade com cerca de 2.500 habitante. Morando atualmente em Belo Horizonte, Zanini é técnico em alimentos, mestre cervejeiro e sommelier de cervejas. É dele a responsabilidade pela implantação de dezenas de plantas cervejeiras em vários estados.
“Formei-me em Santa Catarina em 1994 e, desde então, tenho atuado única e exclusivamente em cervejarias, implantando projetos pelo Brasil afora. Comecei como responsável por uma delas, a Caçadorense, no meu estado natal.
Uma empresa histórica, pois foi nela que se produziu a nossa primeira cerveja cigana, em equipamentos alugados, a lendária Xingu”, explica Zanini.

Hoje, além de sócio da Zanini TC, empresa responsável por startup de projetos, atua como responsável de algumas cervejarias mineiras. Seu principal trabalho é implantar novas técnicas e potencializar procedimentos existentes, visando melhorar processos, aumentar produtividade e estabelecer padrões de qualidade de produtos, mesmo em pequena escala industrial.

Para Evandro Zanini, cada projeto, não importando o tamanho, é um desafio diferente, uma oportunidade de crescimento profissional. “Eu não apenas provoco o nascimento de uma cervejaria. Vou além e desperto nos proprietários e seus colaboradores uma nova visão da cerveja especial, incentivando-os a voos sempre maiores, em criatividade, qualidade e volume de produção”, diz.

Sobre as diferenças no seu trabalho para grandes e pequenas cervejarias, Zanini cita que tudo é questão apenas de capacidade mensal de produção. “As preocupações são as mesmas ou até maiores nas de pequeno porte. Procuro priorizar a qualidade do produto, promover a identidade das marcas. Se o projeto é grande ou pequeno não importa muito em termos industriais, pois o objetivo é sempre a satisfação do consumidor”, explica.

Bruno Parreiras, da Cervejaria Küd, de Nova Lima, Minas, confirma isso, como dono de uma das marcas mais respeitadas no mercado: “a nossa planta industrial é de autoria do Zanini, um profissional referência no ramo em que atuamos. As orientações dele e os detalhes técnicos com que nossas instalações foram montadas certamente estão na base da qualidade com que operamos há mais de oito anos”, disse.

Na Cervejaria Verace, implantada há pouco mais de dois anos na mesma cidade, a visão também é essa, de acordo com Eduardo Petri, um dos proprietários. Segundo ele, Zanini foi contratado no início, prestando uma ampla gama de serviços, desde o projeto e sua aprovação no MAPA, passando pela indicação e supervisão da montagem dos equipamentos, treinamento de equipes e, até mesmo, criação de algumas receitas.”

Com toda a sua experiência, Evandro Zanini analisa o mercado cervejeiro atual e o futuro das cervejas especiais. “Estamos em fase de adequações e ajustes, ainda. O consumidor procura novidades e isso é fato comprovado. O Brasil tem uma extensão territorial enorme e temos muitas culturas e costumes, ingredientes, com uma gastronomia muito rica, o que abre a possibilidade do surgimento de estilos brasileiros, sem inspiração estrangeira”.

“A maioria dos criadores de receitas aqui no Brasil ainda se baseia no que se faz no exterior e isso retarda a nossa evolução, a criação de estilos tipicamente nacionais. Mas os nossos cervejeiros já estão buscando o melhor em matérias primas e insumos. Sobre o futuro das nano cervejarias, ciganos e micros, a questão mais preocupante são os impostos aplicados ao setor artesanal. Eles são as maiores ameaças ao desenvolvimento do setor nacional”, afirma.

Segundo Zanini, muita gente que já está no mercado, ou entrando agora, não faz seu planejamento estratégico observando devidamente as mudanças constantes no mercado cervejeiro. E, até mesmo, desconsideram surpresas que surgem em um ou dois anos após o início das operações. “Tem que prestar atenção nos detalhes. São os detalhes que fazem toda a diferença. O mercado está evoluindo, o paladar do consumidor está sempre se transformando e ficando exigente. E isso pode pegar de muito empreendedor de surpresa.”

A CERVEJA DA VEZ
Inocência
Fabricada pela tradicional cervejaria Krug, de Nova Lima, a Inocência é uma Ale Belgian Tripel típica de abadia, estilo criado em 1934 no mosteiro de Westmalle. É uma bebida de corpo médio, leve dulçor e amargor, em equilíbrio com o álcool. Oferece aromas e sabores complexos, resultantes do processo de fermentação, remetendo a cravo e canela. A percepção de boca é seca, reforçada pela efervescência de uma boa carbonatação. Frutas amarelas, combinadas com notas cítricas, herbais e florais, completam as sensações na degustação.
Perfil: Teor alcóolico (8%), Teor de amargor (27 IBU), Temperatura de consumo (8-12ºC), Taça (Goblet). Harmoniza bem com aves, embutidos, massas e pratos com certo teor de gordura, especialmente os condimentados com tomilho, manjericão, alecrim, hortelã.

Com Cerveja, Uai!

Wilson Renato Pereira é jornalista dedicado a difundir a cultura cervejeira de qualidade. Autor da coluna "Cerveja&Cia" na revista Mercado Comum e palestrante.

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