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Eduardo de Ávila
Defender, comentar e resenhar sobre a paixão do Atleticano é o desafio proposto. Seria difícil explicar, fosse outro o time de coração do blogueiro. Falar sobre o Clube Atlético Mineiro, sua saga e conquistas, torna-se leve e divertido para quem acompanha o Galo tem mais de meio século. Quem viveu e não se entregou diante de raros momentos de entressafra, tem razões de sobra para comentar sobre a rica e invejável história de mais de cem anos, com o mesmo nome e as mesmas cores. Afinal, Belo Horizonte é Galo! Minas Gerais é Galo! O Brasil, as três Américas e o mundo também se rendem ao Galo.

Temo pela indiferença do Atleticano

A exemplo do que presenciamos com a selecinha da cbf, por efeito dominó (ou cascata como queiram), o futebol brasileiro pode sofrer um abalo sem precedentes. Por via de consequência, na pole position desse desprezo do torcedor, está o Atleticano. Em meus quase 70 anos de vida, jamais presenciei um momento tanto desanimador e sem qualquer expectativa quanto o atual. As Arenas construídas por exigência da fifa para o mundial do 7 a 1, vem esvaziando e praticamente expulsando o torcedor das arquibancadas. Digo, cadeiras onde – ao que presenciamos – servem de piso para uma torcida que fica de pé sobre o assento e acende cigarro jogando fumaça em quem está ao seu lado.

Acompanhei poucos jogos da Copa do Mundo, sendo que do Brasil vi partes de alguns deles, sem a motivação de tempos passados. Minha primeira Copa foi a de 66, quando a transmissão foi exclusivamente pelo rádio. Criança sofri ao lado do papai com a derrota para Portugal e eliminação precoce do time bi campeão (1958/1962), para já como pré adolescente e pela televisão preto e branca, vibrar com o tri (1970). A maior frustração dessa conquista foi não poder tomar uma cerveja (13 anos) e me embriagar como vi tanta gente na rua principal de Araxá durante as comemorações. Depois as frustrações de 74 e 78, onde a cada vitória BH saia para as ruas em festa. Repetiu com os times do teimoso Telê Santana em 82 e 86. Vitórias alucinantes e eliminações com muitas lágrimas.

E foi numa involução dessa festa, Copa a Copa, ainda que as conquistas de 1994 e 2002 tenham motivado depois de o título ser consolidado. Mas, ao que me lembro, o jogo a jogo já não tinha o mesmo brilho e participação popular pelas ruas das cidades. Até que nessa atual foi o fiasco dentro de campo e nos dias de jogos do Brasil. Em nenhuma das três vitórias – Haiti, Escócia e Japão – houve comemoração pós jogo. No máximo em botecos reunindo a mesma turma do dia a dia. Os jogos terminavam e as cidades retomavam a normalidade. Sem euforia! Tampouco aconteceu choro depois da vergonhosa derrota para a Noruega (oitavas), repetindo Alemanha (semifinal de 2014), Bélgica (quartas de 2018) e Croácia (quartas de 2022). Nenhuma reclamação!

E, ao que sinto e penso, estamos todos caminhando por esse caminho de indiferença. E é com tristeza que percebo o Atleticano, pioneiros em títulos nacionais (1937 e 1971) e recordista em campeonatos mineiros (50), também na vanguarda desse distanciamento do time. Atrás apenas dos queridinhos da televisão – flamídia e Corinthians – o Galo tem a terceira melhor média de torcedores na história dos Brasileiros. Recordista por diversas vezes de maior público na primeira divisão, em 2006 disputando a série B, obteve a melhor média nacional em todas as séries A, B, C e D do campeonato brasileiro. Agora, na Arena Menin, jogo a jogo, fazendo malabarismo para colocar 20 mil torcedores nas luxuosas acomodações daquela obra. Um ingresso vale dois, gratuidade e outros atrativos.

Como se não bastasse, desde as conquistas de 2021, capitaneados por acionistas que agora detém mais de 80% das ações da saf – filho e pai -, acompanhamos cada momento dessa desilusão com a nova realidade safista. Desmontaram um time vencedor, prometendo qualificar o elenco, que vem se mostrando decadente a cada nova janela de contratações. Estamos assistindo um discurso ensaiado de dirigentes remunerados sinalizando que nada será como antes. Sem reforços, sem perspectiva de títulos, o time luta contra a parte de baixo da tabela desde a desagradável campanha de 2024. Finalista das Copas do Brasil e Libertadores, derrotado em ambas, tivemos de sofrer na rodada final com risco de rebaixamento. Ano seguinte a esse, finalista da Sul-americana, igualmente derrotado e brigando contra a parte de baixo da tabela. E nessa atual temporada, ao dito, nada será diferente.

Como consequência, a exemplo do mencionado acima sobre a selecinha, o Torcedor Atleticano já não chora nas derrotas como aconteceu nos anos 70/80 e o rebaixamento. Menos ainda comemora como foram nas temporadas de 2013 e 2021, que fecharam o ciclo das grandes conquistas. Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil. A indiferença e desesperança tomaram o lugar antes ocupado por uma Massa que festejava conquistas e aplaudia o elenco em momentos difíceis e de muita entrega como foram 1977, 1999, 2005, 2012 e tantas outras ocasiões da nossa história. Resultado desse desencanto generalizado com o futebol mundial (o var na CM tem sido idêntico ao da cbf), brasileiro e – especialmente – do Atleticano. Estão matando uma paixão centenária. Terça, dia 21, vou lá no estádio dos homi. Ainda que com uma saudade alucinante do velho e histórico Mineirão. Até quando? Diria que até quando perceberem que atrativo é elenco e time bom e competitivo.

Em tempo: depois desse tempo sem jogos do nosso time do coração e uns dias de curtição com a família e amigos lá nas minhas origens, vou tentar dar continuidade como dantes nas bandas deste nosso Canto do Galo.

*imagens: Flickr Atlético

8 thoughts to “Temo pela indiferença do Atleticano”

  1. Bom dia a todos! O Galo pode ser resumido em um “Museu de Grandes novidades”, como disse o Cazuza em sua música. É incrível como os caras estão convictos de que temos time para classificar para a Libertadores, quando a realidade nos mostra uma possível série B no ano que vem. Ter que ouvir que Igor Gomes está treinando bem, e que Dudu e Scarpa vão render frutos é de desanimar por completo. Esses BURROS donos dessa #SAFNota0, não entenderam ainda que sem time disputando campeonatos para ganhar, não há receita, eu mesmo não renovei o meu Galo na Veia que pago há anos, mesmo morando em São Paulo e, praticamente, não o utilizando.

    Esses FDPs enterraram o Galo, é um desânimo total, mas fiquem tranquilos que depois das duas primeiras rodadas já estaremos na zona da degola, aí vamos ver o que acontece. É nojento e desanimador o discurso para boi dormir. Quem disse que manter folha alta é sinal de qualidade? Quem disse que investir 120 milhões na primeira janela é vantagem? Trouxeram pé de rato pagando caro.

    Não vou mais perder tempo com esse merda, esse engodo de time da SAF, é só sofrimento! Daqui a pouco fritam o Barba, quero ver o que ele vai falar sobre reforços, já que no início da paralização ele disse que precisaria reforçar TODAS as linhas, e trazer jogador de qualidade e não para cumprir tabela. A ver… Esse coitado, entrou na maior furada do mundo, e pior é que a torcida vai pedir a cabeça dele, não aprendemos NUNCA!!!!

  2. Bom dia AmiGalos. Vou retornar dando meus pitacos neste espaço democrático, depois da final da Copa. Não para falar sobre essa, porque, para mim, até já se encerrou lá atrás, com maracutaias de um maluco e, porque não dizer, o endeusamento de jogadores sem qualidades, espírito de luta e um técnico “mascador de chicletes”. Vou me limitar aos pitacos sobre o nosso Galo, mesmo sem esperança e só torcendo por um milagre com ele e, em suma, com o futebol brasileiro de uma maneira geral. Um grande abraço a todos.

  3. O futebol brasileiro e sua seleção medíocre de empresários morreu faz muito tempo e só não foi enterrado de vez porque detém o Penta Mundial.

    Quanto ao “nosso” amado e glorioso CAM, em crise de existência atualmente, oremos para que os novos tempos não mate essa paixão centenária do seu torcedor.

  4. Bom dia Canto

    Broxante é a palavra que descreve o sentimento do torcedor atleticano.
    A cada dia que passa, a massa mais e mais vem se decepcionando com as coisas do clube e nesta gestão fake do Pedro Daniel, ao que tudo indica, o torcedor não terá vida fácil.
    Não bastasse o baita amistoso chacota, contra o todo poderoso sub 20, que depois perdeu pro social, aí vem a entrevista deste C&O embusteiro que disse que o elenco é qualificado e que confia no elenco.
    Ele só não explicou como o elenco qualificado conseguiu empatar com o Remo, tomar de 4 do Flamerda na Arena, perder pro Coritiba e classificar culposamente frente ao Ceará.
    Como se não bastasse ouvir tanta merda, além de não contratar, o embusteiro dá folga aos equatorianos até quarta feira e pior, com aval do banana do técnico.
    Se não me engano, as criticas mais exacerbadas à Minda e Preciado é que os caras estão mal fisicamente e ao invés de voltarem para treinar, ganharam mais 3 dias de folga. Parabéns diretoria e Barba!!!!
    E um recado pra diretoria:
    o torcedor mais do que ingresso gratuito quer é time competitivo. isto é que vai trazer a torcida de volta ao estádio.

  5. Bom dia Ávila. Bom dia a todos. Padre Torga sempre ensinava que o verdadeiro amor exige sacrifícios. O torcedor que ama o Clube sacrifica seu tempo, seu dinheiro pelo Clube. E o inverso não ocorre! No modelo Saf, é um negócio que visa lucro! Acabou o encanto! Acabou o amor. Simples assim…

  6. Bom dia, Atleticanos. O futebol deixou de ser um esporte popular, esse “fenômeno”, não é exclusivo do Atlético. Aquele sentimento de pertencimento, de como se o Clube fosse uma extensão da família, não existe mais. Tenho saudade de qdo defendia qualquer perna de pau, pelo simples fato de vestir nossa camisa. Confesso que não sei em qual momento aconteceu esse distanciamento. Ir ao campo não é mais possível para o povo, o verdadeiro povo. Esses dias lembrei com muita saudade dos campeonatos de 1999 e de 2001, no primeiro fomos vice e colocamos aquelas arquibancadas extras no Independência que vivia transbordando de gente. Em 2001, aquele campeonato que perdemos na chuva em São Caetano, e o Atlético fez várias promoções de ingresso a 1 real e o Mineirão vivia abarrotado de torcedor raiz. Hj, quem frequenta o campo, e não só a Arena Menin, os outros do país tbm, é mais consumidor do que torcedor, a maioria mais preocupada com self e outras papagaiadas. O reflexo disso, tbm foi visto na copa do mundo, onda os argentinos, noruegueses, ingleses e outros, der show de torcer e os brasileiros, disparados a torcida mais bunda mole e frouxa de todas. Torcida de papel. Vimos exatamente o que vemos nos estádios brasileiros. Self, redes sociais, choradeira e gritos e cânticos ridículos como o grotesco “sou brasileiro com muito orgulho com muito amor”. Bunda mole com força! Não acho que as coisas vão melhorar. No nosso caso, vejo o Clube e seus donos seguindo por um caminho em que será impossível competir contra os times que investem pesado, como os mulambos (estão contratando o Almada), palmeiras e mesmo o rival local. E o torcedor Atleticano raiz, do povo, aquele que trouxe o Clube até aqui, não faz mais parte disso. Eu mesmo, não sei se quero fazer parte. Certamente não me importo tanto quanto antes. Sigamos! SAN

    1. Barros, você cirurgico! Eu moro no bairro Camargos e não vou a campo. Um copo de agua a oito reais??? Como assim!!!! Um Copo de cerveja a doze reais! Rapaiz 11 titulares e cinco reservas que possam mudar o jogo! O Galo tem isso? Quem aguenta a preguiça de Scarpa, Dudu e Reinier? E o Bernard como protagonista do time! Fala serio…..

    2. Parabéns pelo texto.
      É exatamente essa a realidade hoje da torcida Atleticana.
      Esse texto deveria chegar nas mãos dos 4R’s.

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