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Eduardo de Ávila
Defender, comentar e resenhar sobre a paixão do Atleticano é o desafio proposto. Seria difícil explicar, fosse outro o time de coração do blogueiro. Falar sobre o Clube Atlético Mineiro, sua saga e conquistas, torna-se leve e divertido para quem acompanha o Galo tem mais de meio século. Quem viveu e não se entregou diante de raros momentos de entressafra, tem razões de sobra para comentar sobre a rica e invejável história de mais de cem anos, com o mesmo nome e as mesmas cores. Afinal, Belo Horizonte é Galo! Minas Gerais é Galo! O Brasil, as três Américas e o mundo também se rendem ao Galo.

Dente de leite e Bola na Área

Ontem, aqui, dei uma pincelada nas lembranças que carrego dessa Atleticanidade. Diferente de muitos, não tive berço de Galo. Sinto inveja do bem.

Meu pai era torcedor do nosso maior rival e que tem sede no Rio de Janeiro e um irmão mais velho – que foi boa referência na minha vida pessoal (felizmente menos no time do coração) – era do outro lado da lagoa. Fui salvo pela ação precisa e eficaz de um cunhado. ObriGalo!

Pois bem, relendo a postagem de ontem e motivado por aquela viagem, liguei para o bom amigo Ronan Ramos de Oliveira. Confinados, cada um no seu quadrado, fui tentando resgatar lembranças que a memória coloca num chip distante.

Mencionei a ele, além do “Bola na Área“, a respeito de um torneio de “dente de leite”, que a TV Itacolomi exibia ao vivo todo domingo de manhã. A meninada lá em Araxá babava assistindo aquela competição.

Me lembro time do Galo ir jogar em Araxá e dar um show no nosso. Era o Natal Futebol Clube, que usava camisa listrada em preto e branco. O uniforme foi adquirido na Casa Ranieri da Rua Caetés (uma das patrocinadoras do programa da TV) numa viagem que fiz a Belo Horizonte.

Meus amigos definiram a cor, a escolhida foi outra, mas – confesso – quando cheguei lá na loja só tinha essa listrada e com essas cores. Coincidentemente parecida com a do Galo. Até hoje tem quem me acuse de má fé. Não sei o que prevalece. Juro que não foi intencional, mas a versão corrente diz o contrário.

Pois bem, foi neste torneio dente de leite que surgiram nomes que mais tarde se tornaram ídolos. No Galo, Reinaldo e Marinho. No América tinha Éder, que tempos depois era num dos jogadores mais admirados no time Atleticano.

Ronan lembrou, inclusive, que o melhor de cada rodada ganhava uma bicicleta. Reinaldo fez uma coleção de Caloi ou Monark – não me lembro – e Éder, ainda que em menor número, também quase abriu uma loja desse veículo de duas rodas lá em Vespasiano.

Mas sobre o “Bola na Área”, que além dos nomes que mencionei ontem, tinham outros grandes cronistas. Vale lembrar que o comando era do jornalista Hélio Fraga.

Citei o próprio Ronan, Sasso, Kafunga, Roberto e Luís Carlos. Participaram daquele saudoso programa que durou de 1966 até 1974, ainda: XA, JA, Paulo Papini, Márcio Rubens Prado, Erasmo Ângelo, Rodrigo Mineiro, Yustrick (o homão), Biju e outros que a memória não ajuda.

Era uma resenha gostosa e exclusiva em torno dos times mineiros, destacando desse menino e pré-adolescente, a atenção em torno do nosso Galo. O América, nessa fase, cedia espaço para uma equipe emergente assumir a segunda força do futebol mineiro.

Daí aquela situação que já disse várias vezes. O clássico mineiro nos “primórdios” – como diria Kafunga – era Galo e Vila, depois foi com o América que capitulou e agora outra vez a vaga está em aberto. Sempre o Galo na cabeça.

Na prosa com o Ronan, pedi duas fotos que divido com o leitor deste cantinho Atleticano. Nelas, o então jovem “repórter da camisa amarela” entrevista dois ex-jogadores do Galo. Mário de Castro e Djalma Dias. Ídolos em tempos diferentes, que o Torcedor pode pesquisar no Galo Digital para saber sobre eles e todos que vestiram essa camisa preta e branca.

Mário de Castro, natural de Formiga, atuou exatas 100 partidas pelo Galo. Marcou 195 gols em seis temporadas (1925/1931). Deixou inúmeras histórias, como a recusa da convocação para a Seleção Brasileira (Copa do Mundo de 1930), dizendo que só vestia uma camisa: a do Clube Atlético Mineiro. Foi assim que rechaçou proposta milionária do Fluminense. Formou o “trio maldito” ao lado de Said e Jairo.

Ah! Mário de Castro marcou apenas dois gols naquela histórica e maior goleada no time azul (na época talvez com outro nome e cores) por 9 a 2, sendo que Said e Jairo marcaram três vezes cada.

Getúlio marcou o nono e último gol daquela partida. Ao se formar em Medicina, em 1931, o goleador, com média de 1,95 gols por partida, optou pela profissão e deixou um vazio na Massa.

Já Djalma Dias (1968/1969), foi comprado junto ao Palmeiras e fez 51 partidas pelo Galo. Era zagueiro central e não marcou um único gol pelo time Atleticano. Vendido ao Santos em 1970.

Asseguram Atleticanos da velha guarda que o time da Vila Belmiro nunca pagou o valor estabelecido na negociação. Naquela ocasião não existia punição da FIFA, caso contrário, o time de Pelé seria rebaixado de Divisão. Assim são as normas atuais.

*fotos: arquivo pessoal Ronan Ramos de Oliveira

8 thoughts to “Dente de leite e Bola na Área”

  1. Que matéria gostosa de ler !

    Reza a lenda que o Djalma Dias , marrento que
    era , se negou a entrar em campo se os degraus
    dos túneis não fossem cobertos com borrachas ,
    pois aquele cimento era perigoso para o jogador
    que poderia escorregar .
    Procede a informação , ÁVILA ?

    Coincidência :
    tenho visto reportagens com grandes jogadores
    do passado (quase todos eram Grandes)

    Numa delas , PC Caju e Gerson lembraram que
    foram questionados que hoje eles não jogariam
    neste futebol que se pratica por aí

    Resposta do Gerson :
    “Não jogaria mesmo , mas DE VERGONHA” .
    ELES ERAM ( e são ) FANTÁSTICOS !!!!!!!!!

  2. Bom dia,

    Muito boa essa prosa.
    Na cidade onde fui criado, o nosso Galo não era de levar vantagens por lá não, tinha equipes muito boas, não lembro de nenhuma vitória do Atlético por lá, apesar de poucas as oportunidades de jogos por lá, e quase sempre era o time profissional que era convidado para amistosos, em pre temporada ou em inaugurações de estádio.
    Sempre que ia jogar por lá ainda levava alguns jogadores para fazer teste no Galo.
    Mas, vamos mudar de assunto, ontem em entrevista o Nathan começou a falar mais algumas coisas sobre o Dudamel, mais um bom e barato que se tornou caríssimo para as pretensões do nosso Galo em 2020 e para o bolso em consequência.
    Coisas medonhas, acho que o moço achou que estava na Venezuela, poderia até aproveitar o seu regresso e convidar uns simpatizantes daqui deste blog para passar uma temporada por lá.
    O Mattos também já está adequando seu discurso a crise atual, ou então os patrocinadores já mandaram algum recado sobre a mudança nos planos de investir em 2020.
    Tempos difíceis, que não sei quando passará, e se o Sampaoli terá paciência de aguentar, no Santos claramente não teve, e por lá foi ele quem saiu em meio do contrato.
    Boa sexta feira Santa da todos!

  3. Bom dia Eduardo, Lucy, atleticanos e atleticanas,

    lembro muito da Ranieri,na rua caetés…. Comprei muito material esportivo lá… Lembro-me de uma senhora velhinha que atendia a gente… Não sei o nome dela, nós a chamávamos de D. Ranieri, ela também aparecia na propaganda que passava na televisão… Lembro do símbolo da loja… Um bola com um sapo em cima…. bons tempos….
    Um ótimo feriado e fim de semana pra todo mundo….

  4. Bom dia Eduardo, atleticanas e atleticanos cheios de saudade.

    Novas e boas lembranças Eduardo, o Ronan era meu vizinho lá no Caiçara. ele morava em frente ao Colégio Normal São Pascoal e eu mais abaixo. Estudei com o irmão dele o Ronaldo. Formamos no quarto ano primário. Eu ia sempre lá pelas bandas do Colégio principalmente para ver as meninas “Vestidas de azul e branco e um sorriso encantador” saindo da escola. Influência da canção do Nelson Gonçalves, Normalistas.

    Razão tem o poeta. Recordar é viver. Uma recordação puxa outra e outras e a gente vai vivendo e revivendo as boas coisas da vida. Hoje já não tem mais escolas normais e nem professoras e professores por vocação. Como no futebol viraram profissionais.

    É a vida. Quem teve, revive. E quem tem o Galo sempre terá vida.

    Uma sexta-feira da Paixão abençoada. Com mesa farta, bom vinho e companhia dos parentes de casa. E muito zap para os outros.

    Um abraço a todos os AmiGalos.

    1. Caro Paulo,

      lendo seu comentário sobre as “meninas de azul e branco e com um sorriso encantador” me lembrei de uma música do Pacífico Mascarenhas interpretada pelo Sambacana, gostaria de compartilha-la com todos os e as amigalos…. Sei que vai trazer muitas lembranças daqueles tempos…
      um abraço

      1. JOSÉ ANTÔNIO ,

        legal demais da conta !

        O Pacífico é ótimo , tem uma que se
        chama Pouca Duração que é uma das
        minhas preferidas

  5. Bom dia Avila. Bom dia a todos! Pedindo vênia aos amigos atleticanos eu vou relembrar hoje três campeonatos Brasileiros que eu acreditava e que acabaram em enorme tristeza. Em 1985, o nosso Galo foi para a Semifinal juntamente com Coritiba, Brasil de Pelotas e Bangu. Eu pensei dessa vez vamos faturar, pois nao existem times do Rio ou de São Paulo. O jogo de volta foi no Mineirão lotado. O Galo precisava de 1×0. Mas infelizmente ficamos no 0x0, apesar de uma bola que o WAR poderia esclarecer se entrou ou não. Eu nao acreditava naquela eliminação. Em 77 até hoje não acredito como conseguimos chutar três pênaltis para o alto, depois do João Leite catar dois. Aquelas cobranças do Cerezo, Márcio Paulada e Joãozinho Paulista estão na minha memória até hoje. Vice- campeão invicto. Como explicar isso a um adolescente de 14 anos. Em 2001 Eu também tinha certeza da conquista. O Campeão foi o time do Atlético do Paraná. Fomos eliminados pelo São Caetano na semifinal, no chamado jogo da chuva. Nosso time era muito bom: Veloso, Baiano, Marcelo Djan, Álvaro.e Felipe( o melhor lateral que já vi atuando no Galo. Pena que ficou pouco tempo), Gilberto Silva, Claysson, Valdo, Ramon Menezes,.Guilherme e Marques. Essas derrotas foram difíceis de entender. Poxa, na minha opinião tínhamos tudo para ganhar peli menos duas! Agora, com a contratação do Sampaoli e apoio de patrocinadores renasceu a minha esperança da conquista desse Brasileirão, pois o título de 71 Eu morava na roça (Distrito de Engenho do Ribeiro) e com 11 anos de idade nao acompanhei a conquista histórica ai vem essa pandemia. Eu ja cheguei a comentar com um amigo atleticano que antes de morrer, no campo.esportivo.eu tinha duas aspirações: ver o Galo Campeão do Brasileiro e o Rival.na Segunda Divisão. O rival caiu em 2019( De forma épica, aquele jogo contra o CSA, incluindo o Fala Zezé e o pênalti chutado para fora por Thiago Neves, foi sensacional). Fosse eu Presidente do Galo condecorava o Thiago Neves, Rincón e Verón com o Galo de Prata pelas alegrias que nos proporcionaram. Mas infelizmente, parece que meu sonho de ver o Galo Campeão do Brasileiro, ficou mais difícil, pois como dizia Carlos Drumond de Andrade: no meio do caminho tinha um Coronavirus .

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